Centenas de pessoas ficaram retidas devido ao corte da principal estrada que liga o centro e o norte de Moçambique em Mocuba, Zambézia, na sequência do transbordo do rio Lucungo, disseram à Lusa alguns viajantes.

«Chegámos perto das 09:00 (07:00 de terça-feira em Lisboa) e a ponte já havia desabado. Não há solução até agora, apenas vemos os troncos e as árvores descerem rio abaixo para o mar», descreveu à Lusa Ribeiro Custódio, que viajava da Beira, centro do país, para Nampula, no norte.


O caudal do rio Licungo, que corta a meio a cidade de Mocuba, transbordou na segunda-feira, ao atingir 12 metros de altura, seis metros acima do nível de alerta máximo, arrastando milhares de casas e quintas.

As pontes sobre o rio Licungo e Lugela (na região de Mugeba), cruciais para a ligação por terra das regiões norte e centro de Moçambique, desabaram.

"Temos de passar a noite ao relento, pois não prevíamos despesas adicionais de acomodação ao longo do percurso. Vamos esperar a reação do Governo face a isso, que devia rever a situação da transitabilidade das estradas nacionais", contou à Lusa Paula Castigo, que já pernoitou duas vezes no local.

O número de pessoas desalojadas devido às cheias no distrito de Mocuba subiu na terça-feira para 19 mil famílias e centenas de pessoas mantêm-se no topo das árvores e tetos de casas. Dezoito crianças foram dadas como desaparecidas, supostamente arrastadas pelas águas do rio Licungo.

«A nossa maior preocupação agora é o corte da estrada. Estão retidas centenas de pessoas dos dois lados da cidade de Mocuba, mas também que haja acalmia do rio para começarmos as buscas e salvação das pessoas», declarou Teresa Mauaie, administradora do distrito.

A província da Zambézia começou a registar chuvas intensas desde sábado, esperando-se nas próximas duas semanas uma precipitação acima do normal, segundo as previsões da Administração Regional de Águas do Centro (ARA-Centro), alertando para o risco de travessia de rios.

As autoridades lançaram apelos para a população deixar as zonas propensas a cheias e inundações ao longo do curso do Licungo, incluindo nas planícies adjacentes ao rio nas regiões de Nante, Vila Valdez, Yassopa, Munda-Munda e Ntabo (Maganja) e Furquia, Nbaua, Muebele e Malei (Namacurra), largamente afetadas em 2014.

Pelo menos cinco pontes de ligação interdistrital desabaram desde segunda-feira no distrito de Namacura segundo as autoridades locais, isolando várias regiões propensas a inundações.

Uma equipa das Obras Públicas e Habitação e da Administração Nacional de Estrada (ANE) foi deslocada na terça-feira para o distrito de Mocuba, para avaliar a situação de transitabilidade na N1, e desenhar uma estratégia alternativa para evacuar pessoas e bens.