É um caso que está a chocar o Reino Unido e, em particular, a localidade de Bradford. Amanda Hutton, uma mãe britânica, está a ser julgada pelo homicídio do filho de quatro anos, cujo cadáver a polícia encontrou «mumificado» num berço no quarto da mãe. A criança morreu de fome há dois anos e as autoridades encontraram o corpo depois de terem sido notificadas por causa do odor pestilento que provinha da casa da suspeita.

De acordo com a Sky News, o advogado do Ministério Público referiu em tribunal que Amanda Hutton, que abusava do uso de álcool e de cannabis, foi detida em dezembro de 2011 quando a polícia descobriu o cadáver do filho. Hamzah Khan, de quatro anos, era tão pequeno que ainda envergava roupa destinada a bebés com menos de nove meses. A criança tinha morrido há 21 meses e tinha sido conservada no berço em que dormia no quarto da mãe. Além do cadáver «mumificado», os agentes da polícia dizem também ter ficado chocados com o lixo que cobria o chão da casa.

As autoridades determinaram a fome como causa da morte da criança, que viu também o crescimento físico atrofiado por causa da desnutrição. O caso gerou polémica no Reino Unido, sobretudo por não ser considerado aceitável que uma pessoa possa morrer de fome num país desenvolvido e em pleno século XXI.

Ainda de acordo com o Ministério Público, Amanda Hutton não chamou os serviços de emergência quando o filho faleceu, mas preferiu telefonar para uma pizzaria para encomendar o próprio jantar. A mulher defendeu-se, garantindo que fez tudo para salvar o filho quando ele «estava a sufocar».

Amanda Hutton referiu ainda em tribunal que procurou um farmacêutico para a ajudar a cuidar do filho quando ele já estava em condições precárias de saúde. Ao chegar a casa encontrou o menino perto da morte, tentou reanimá-lo, mas já era tarde demais.



Amanda Hutton arrisca agora uma pena até 20 anos de prisão pela morte do filho de quatro anos, cujo corpo era similar ao de uma criança de 18 meses, de acordo com especialistas chamados a testemunhar.

No processo, a única referência ao pai do menino é de que estava separado da mulher e vivia noutro lugar. Não existem evidências de que fosse violento com Amanda Hutton antes da separação.