Durante quatro meses, Mercedes Cushworth amou o filho, mas algo a atormentava. A criança não se parecia nem com ela, nem com o marido, Richard Cushworth, pelo que tomou uma decisão difícil e submeteu a criança a um teste de ADN.

Senti que estava a traí-lo. Pensava: estou a trair o meu filho”, contou Mercedes à BBC.

O resultado do teste de ADN deu razão às desconfianças de Mercedes Cushworth. Havia 0% de hipóteses daquele menino ser filho do casal. Era o início de um drama para este casal, a viver no Texas, nos Estados Unidos, e que levou quase um ano a ser resolvido. Ocorrera uma troca de bebés na maternidade.

Primeiro, foi necessário descobrir onde estava o seu bebé. Mercedes tinha dado à luz em El Salvador. Com ajuda legal, o processo de descoberta da criança até foi rápido, mas doloroso. Os laços entretanto criados entre os pais e o bebé que não era seu, deram lugar a um misto de sentimentos de tristeza e alegria.

Mercedes chorou ao entregar o menino que amara como seu durante aqueles meses, mas foi com alegria que recebeu nos braços o menino que tinha dado à luz.

No entanto, se o óbvio seria a família regressar à tranquilidade do lar, levantou-se um obstáculo legal que obrigou a Mercedes e Richard a viverem separados durante nove meses e a gastar as suas poupanças. O menino não conseguia um passaporte para sair de El Salvador.

O processo só veio a ser desbloqueado pelos serviços diplomáticos britânicos naquele país sul-americano (Richard é de nacionalidade britânica). O embaixador Bernhard Garside é, por isso, para esta família, “um anjo”.

Mercedes e Richard Cushworth não querem fechar, todavia, este capítulo das suas vidas. Reclamam responsabilidades pela troca e pedem explicações. Resolveram denunciar o seu caso para que a situação não volte a repetir-se.