Um jovem de 16 anos que atropelou mortalmente quatro pessoas em Fort Worth, Texas, EUA, quando conduzia sob o efeito de álcool, foi condenado a 10 anos de prisão com pena suspensa, depois do juiz aceitar a defesa de que o jovem sofria de «affluenza», ou abundância.

A defesa justificou as ações de Ethan Couch com o facto de este ser de uma família rica, onde nunca lhe faltou nada, o que levou ao desenvolvimento de uma condição psicológica chamada «affluenza», que leva ao excesso de confiança e comportamentos de risco.

Segundo a Sky News, Ethan Couch conduzia com três vezes o limite de álcool autorizado por lei e poderia ser condenado a 20 anos de prisão, mas a sentença ficou-se pelos 10 anos de liberdade condicional e reabilitação.

Eric Boyles, pai e marido de duas das vítimas, falou à Sky News após a audiência e explicou que não percebe como ser rico pode ser uma defesa aceitável.

«Nós sabíamos que a sentença máxima eram 20 anos, que no sistema juvenil significa que o rapaz sairia ao fim de dois, (...) e nas circunstâncias que estamos a falar não estava feliz com isso», disse Boyles.

«Olhemos para os 180 anos de vidas futuras que ele tirou a quatro indivíduos. O dinheiro sempre o manteve fora de problemas. Esta foi a vez em que eu pedi ao tribunal que, por justiça, não deixasse o dinheiro ganhar e hoje senti que ganhou».

Um psicólogo contactado pela Sky News disse que esta «condição» não foi descrita para ser usada em casos de tribunal.

«O termo simples seria "puto mimado". A defesa é uma piada, a sua apresentação horrível. Não só os pais não determinaram consequências, como foi reforçado pela decisão do juiz», disse o psicólogo Gary Buffone.

A associação de psiquiatria americana disse que não reconhece o diagnóstico da «abundância» (Affluenza).