O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, desafiou os dirigentes europeus, reunidos numa cimeira em Bruxelas, a darem provas de «solidariedade europeia» na revisão da política de asilo na Europa.

«Acolher 10.000 refugiados numa ilha como Lampedusa, que comporta 6.000 habitantes, é uma missão impossível. Pelo contrário, acolher 10.000 refugiados em 28 estados-membros onde vivem 507 milhões de europeus, é uma tarefa ao nosso alcance», afirmou o social-democrata alemão à margem da cimeira.

«A tragédia de Lampedusa deve marcar uma viragem na história da política europeia relacionada com os refugiados», insistiu Schulz.

Os países como Itália, Grécia, Malta e Chipre reclamam ações para que a Europa os ajude a suportar o fardo. Mas o apelo continua sem eco.

O sistema em vigor, designado Dublin II, obriga os países onde chegam os imigrantes a facultar acolhimento e alojamento. A maioria dos países da União Europeia não quer alterar as regras.

«Para ajudar os estados-membros mediterrânicos a acolher os refugiados e assegurar uma repatriação equilibrada entre estados-membros, devíamos dar provas de solidariedade europeia. É essa a questão hoje em dia», declarou Schulz.

Reclamou ainda «uma maior flexibilidade» do sistema de Dublin, reconhecendo que este pedido é «sistematicamente ignorado», o que disse ser «extremamente dececionante».

«A Europa não pode salvar, nem acolher toda a gente. No entanto, somos o mais rico dos continentes e, como tal, podemos fazer mais, especialmente se agirmos em conjunto, se procurarmos juntos soluções e se partilharmos responsabilidades», defendeu.

Na sexta-feira de manhã, os líderes europeus terão uma última sessão de trabalho para discutir o problema dos fluxos migratórios na zona de Lampedusa e os recentes naufrágios que tiveram lugar e ainda para preparar a cimeira da Parceria para o Leste, que terá lugar em Vilnius, na Lituânia, a 28 e 29 de novembro.