O que um teste de ADN não conseguiu clarificar um homem acabou por confessar: ele, e não o irmão gémeo idêntico, era o violador de Marselha.
 
O caso chamou a atenção, em 2013, para as limitações do ADN enquanto prova, uma vez que o código genético destes dois irmãos era difícil de distinguir apesar de não ser igual. Um trabalho ao alcance de muito poucos laboratórios em França e demasiado dispendioso para ser usado na investigação criminal.
 
Um problema na fala identificado pelas vítimas, devido à surdez parcial do autor dos crimes, fez com que as autoridades se concentrassem apenas num dos homens.

Inicialmente, suspeitavam do envolvimento de ambos numa série de crimes sexuais e roubos a mulheres com idades entre os 22 e os 76, uma vez que os gémeos partilhavam casa, roupa, telemóveis e até a mesma página do Facebook.
 
Yoan Gomis, de 26 anos, disse esta semana em tribunal que decidiu confessar por não conseguir viver mais com a culpa.

Fê-lo no primeiro dia do seu julgamento, que teve lugar em Aix-en-Provence, e cuja sentença deve ser conhecida nesta sexta-feira.
 
“Peço desculpa por ter mentido este tempo todo. Tinha vergonha do que fiz e não conseguia admiti-lo”, disse em tribunal, mergulhado em lágrimas, explicando que tinha “medo de como a mãe e outras pessoas pudessem olhar para ele”.