Numa carta aberta a Mark Zuckerberg publicada na quarta-feira, os pais de uma vítima do tiroteio numa escola primária de Sandy Hook, EUA, em dezembro de 2012, pediram ao fundador do Facebook para remover os comentários de ódio e teorias da conspiração da rede social, acusando-o de "fornecer um refúgio seguro para o ódio".

Lenny Pozner e Veronique De La Rosa, pais de Noah, que tinha seis anos quando foi morto, escreveram a carta aberta, publicada no The Guardian.

Os pais da vítima falam por eles e por todos os familiares das restantes vítimas que passados seis anos ainda continuam a ser atacados. Na carta pode ler-se o pedido de ajuda na remoção dos comentários e das teorias da conspiração. 

O nosso filho Noah já não tem voz, nem nunca mais poderá viver sua vida. Sentimos todos os dias a falta dele”, lê-se no documento.

Lenny e Veronique dizem não conseguir seguir em frente por estarem constantemente a ser ameaçados de morte e a ser alvo de críticas. 

Somos incapazes de nos lamentar pelo nosso bebé ou seguir em frente com as nossas vidas porque você, sem dúvida o homem mais poderoso do planeta, acha que os ataques que nos são feitos são irrelevantes, que remover as ameaças é muito complicado e que as nossas vidas são menos importantes do que fornecer um refúgio seguro para o ódio”, sublinham.

A carta detalha a experiência da família diante as teorias da conspiração que negam a existência do tiroteio naquela escola da localidade de Newtown.

Essas alegações e apelos alastraram-se pelo Facebook como um incêndio e, apesar dos nossos apelos para este tipo de comentários serem removidos, essas pessoas continuam a ser protegidas pelo Facebook”, continuam.

A carta cita ainda declarações do fundador da rede social numa entrevista em que explicou que não ia remover comentários que espalhem teorias da conspiração - incluindo o que é dito sobre o Holocausto e sobre o tiroteio. Nessa conversa, Zuckerberg disse ainda que não significa que defenda os responsáveis pelos comentários ou que concorde com os mesmos.

O Facebook desempenha um papel gigantesco na partilha de informação pelas massas", ainda escreveram os pais de Noah. “Este nível de poder não pode esquecer a responsabilidade de garantir que a rede social não seja usada para prejudicar os outros ou contribuir para a difusão de ódio. No entanto, parece que o Facebook deixa que as pessoas o façam".

O massacre protagonizado pelo jovem de 20 anos Adam Lanza matou 26 pessoas, entre as quais 20 crianças e a sua própria mãe. Adam acabou por se suicidar na escola Sandy Hook.