A eurodeputada francesa Marine Le Pen, líder do partido de extrema-direita Frente Nacional, reclamou esta terça-feira o encerramento imediato das fronteiras internas no espaço europeu, na sequência dos atentados de Paris da semana passada.

Numa conferência de imprensa à margem da sessão plenária do Parlamento Europeu que decorre em Estrasburgo, Le Pen defendeu a suspensão do espaço Schengen de livre circulação de pessoas, como forma de o povo francês «recuperar o controlo das suas fronteiras», pois, sustentou, essa é «a primeira medida para lutar contra o terrorismo».

Confrontada com o facto de os autores dos atentados terroristas da semana passada, incluindo o ataque à redação do semanário satírico Charlie Hebdo, serem de nacionalidade francesa, e questionada sobre qual a utilidade do encerramento de fronteiras, a líder da Frente Nacional argumentou que tal facilitaria controlar os nacionais da UE que vão a países terceiros receber treino de jihadistas radicais.

Tal como na intervenção na véspera, por ocasião da homenagem prestada, no início da sessão plenária, às vítimas mortais dos atentados da semana passada, Marine Le Pen insistiu que se deve «chamar as coisas pelos nomes», considerando que não se deve falar somente em terroristas e terrorismo, pois esse é apenas um meio utilizado por uma ideologia, «o fundamentalismo islâmico».

Na segunda-feira, no início da sessão de abertura da sessão plenária, o presidente do Parlamento Europeu advertiu contra respostas extremistas aos atentados e citou o primeiro-ministro norueguês em 2011, Jens Stoltenberg, que, na sequência de ataques que mataram 76 pessoas, sustentou que a resposta que o seu país iria dar ao terrorismo era «mais abertura, mais democracia, mais tolerância».

Na semana passada, 20 pessoas morreram em ataques na capital francesa, incluindo os três supostos autores dos atentados.