Continuamente, dezenas, centenas, milhares de cariocas continuama aglomerar-se no centro da cidade do Rio de Janeiro, num velório em jeito de manifestação e protesto pelo assassínio de Marielle Franco, vereadora da cidade eleita pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), ativista dos direitos humanos, socióloga, de 39 anos.

Marielle foi assassinada dentro do carro em que seguia, tal como o motorista, após participar numa reunião sobre ativismo e empreendedorismo para jovens negras.

No ataque contra Marielle Franco, que tinha participado no início da noite de quarta-feira num evento denominado "Jovens Negras Movendo as Estruturas", uma assessora da vereadora foi atingida por estilhaços e transportada para o hospital.

Não sou livre enquanto outra mulher for prisioneira, mesmo que as correntes dela sejam diferentes das minhas", terá sido a frase, segundo o site brasileiro G1, com que Marielle fechou a sessão, na noite de quarta-feira. Leu-a em português e inglês, a saber, uma citação da escritora americana negra, feminista e gay Audre Lorde.

Segundo as primeiras informações da Polícia Militar, o carro onde se deslocavam os criminosos colocou-se ao lado do veículo onde estava a vereadora e dispararam, tendo esta sido atingida por quatro tiros na cabeça.

A perícia encontrou, pelo menos, nove cápsulas de tiros no local. Os criminosos fugiram sem levar nada", adiantou a rede Globo.

O portal de notícias acrescenta que um dia antes de ser assassinada, Marielle Franco questionou a violência na cidade e a ação da Polícia Militar (PM).

Esta quinta-feira, às 17:00 locais (20:00 em Lisboa), está previsto uma sessão pública em pleno Rio de Janeiro, anunciada pelo PSOL, o partido de Marielle, que ganhava cada vez mais simpatia e apoios no Brasil.

 

Condenações

Através da rede Twitter, o assassínio de Marielle Franco foi já condenado pela ex-presidente brasileira Dilma Rousseff.

O assassínio de Marielle rapidamente ultrapassou as fronteiras do Brasil e tem sido condenado um pouco por todo o mundo.

Em Estrasburgo, o eurodeputado socialista Francisco Assis já pediu à União Europeia que intervenha junto das autoridades brasileiras para que o "chocante assassínio" da vereadora Marielle Franco, na quarta-feira, no Rio de Janeiro, seja "investigado até às últimas consequências".

Francisco Assis confrontou até a Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Federica Mogherini, sobre o "frio assassínio" da ativista dos direitos humanos, socióloga e vereadora Marielle Franco, de 39 anos, que, segundo a Globo, "foi morta a tiros dentro de um carro", cujo motorista foi também baleado mortalmente.

Em face da gravidade destes factos, como pretende a UE influenciar as autoridades brasileiras, para que este chocante assassínio seja investigado até às últimas consequências e para que seja garantida a segurança das populações e dos ativistas que pugnam pelos direitos humanos?", questionou Francisco Assis.

O eurodeputado socialista lembrou que "Marielle era uma personalidade interventiva e admirada por muitos, tendo-se destacado pela denúncia da violência arbitrária e amiúde mortífera a que, por vezes, recorrem as forças policiais brasileiras nas suas operações, nas favelas do Rio de Janeiro".

Assis frisou também que a vereadora eleita pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), força política que "tem vindo a ganhar espaço eleitoral e mediático" no Rio de Janeiro, "tinha sido escolhida para relatora de uma comissão destinada a acompanhar a polémica intervenção federal na segurança pública" do Rio de Janeiro.