Espanha entra, este domingo, numa nova etapa da sua vida política. O Partido Popular, de Mariano Rajoy, venceu as eleições gerais, mas sem maioria para governar. Rajoy vai ter de intentar acordos e não terá vida fácil.
 
Acabou o bipartidarismo em Espanha, com a alternância entre o PP e o PSOE. Agora, o Ciudadanos e, sobretudo, o Podemos têm uma palavra a dizer.
 

Mariano Rajoy vence as eleições, mas vai ter de negociar alianças



Com 100% dos votos escrutinados, o Partido Popular conseguiu 28,72% dos votos, a que correspondem 123 deputados, menos 63 assentos parlamentares do que os alcançados em 2011.
 
Os socialistas do PSOE mantêm o segundo lugar, com 22,01% dos votos, e 90 deputados, menos 20 deputados, apesar de manter a liderança da oposição. O Podemos, de Pablo Iglésias, conseguiu 20,66%, 69 deputados e um terceiro lugar. O Ciudadanos conquistou para si 13,93% e 40 deputados, muito abaixo do que lhe apontavam as sondagens.
 
Os resultados efetivos são, apesar de tudo, muito mais favoráveis ao PP e ao PSOE do que as sondagens e do que as primeiras projeções apontavam.
 
Perante este cenário, Rajoy vai agora ter contas difíceis para formar Governo. Mas não são as únicas contas complicadas a fazer: é pouco provável que aconteça, como em Portugal, uma maioria alternativa a um Governo do PP. O PSOE, o segundo partido mais votado, podia tentar uma aliança com os restantes partidos de esquerda e com os nacionalistas, mas teria de ser sempre um acordo com mais de três partidos e difícil do ponto de vista programático.
 
O PSOE e o Podemos somam quase o mesmo que o PP e o Ciudadanos juntos. Assim, o Podemos terá mesmo a mais importante palavra a dizer e pode mesmo colocar os socialistas no poder, mas as diferenças entre ambos são drásticas, nomeadamente na questão do referendo na Catalunha.

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Rajoy precisa de uma maioria parlamentar de 176 assentos, mas mesmo que se una ao Ciudadanos, não a consegue. O PP tinha assim de tentar aliança com um terceiro partido. 
 

Pablo Iglesias insiste na reforma constitucional


O secretário-geral do Podemos, Pablo Iglesias, reafirmou já que os resultados da eleições gerais em Espanha indicam "o fim do bipartidismo" e considerou como prioridade do seu partido uma reforma constitucional ampla.

"Hoje nasceu uma nova Espanha. Inaugura-se uma nova etapa política no país. As forças da mudança obtiveram mais de 20 por cento dos votos, mais de 5 milhões de votos em todo o país", afirmou Pablo Iglesias, numa referência ao seu partido e às formações "irmãs" que apoiou, o En Comú Podem da Catalunha, o Compromís da Comunidade Valenciana e o En Mareas da Galiza.


Iglesias, aliás, recordou que o Podemos foi a força mais votada na Catalunha e no País Basco e a segunda mais votada em comunidades como Madrid e Galiza (em ambos os casos atrás do PP).