O presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, reúne-se na quarta-feira com o secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, na sede do executivo, para analisar o cenário político que resulta das eleições gerais espanholas de domingo.

De acordo com a presidência do Governo, no palácio da Moncloa, em Madrid, Rajoy e Sánchez encontram-se às 12:00 para "trocar pontos de vista sobre as alternativas que existem para a investidura de um novo presidente", que resulta de votação no parlamento e que passa, necessariamente, por acordos entre os partidos.

Os resultados eleitorais obrigam qualquer um dos três partidos mais votados - PP (123 deputados), os socialistas do PSOE (90 deputados) ou o Podemos (esquerda radical, 69 deputados) a acordos de Governo ou de legislatura, não só entre si, mas também com o Ciudadanos (40 deputados) e pequenas forças políticas regionais ou nacionalistas.

O jornal El País noticiou que Rajoy pretende propor a Sánchez várias concessões ao PSOE, a começar pela presidência do Congresso (equivalente ao presidente da Mesa da Assembleia em Portugal) e também do Senado (a câmara alta, onde, ao contrário do Congresso, o PP tem maioria absoluta). A tradição política em Espanha é que preside a ambas as câmaras o partido mais votado.

Com os resultados de domingo, caso todas as outras forças se unissem poderiam impor um presidente do Congresso que não do PP.

Rajoy, segundo o jornal, também estaria disposto a aceitar uma reforma constitucional, algo que faz parte do programa do PSOE (e também do Podemos, que considera condição essencial para um eventual acordo com os socialistas).

Também o Ciudadanos propunha mudar a constituição, pelo que só o PP não o queria. No entanto, os 123 deputados que o PP somou nas eleições deram ao partido a prerrogativa de bloquear qualquer reforma constitucional (que requer maioria de três quintos no Congresso ou maioria absoluta no Senado).

Outro dos pontos, escreve o diário madrileno (conotado com a esquerda), seria a discussão do artigo 135 da Constituição, alterado em 2011 para impor limites constitucionais ao défice público e ao endividamento. Pedro Sánchez propunha em campanha modificar esse artigo - e não simplesmente acabar com ele - para que os serviços públicos básicos se sobrepusessem ao pagamento da dívida.

O PP também estaria disposto a discutir com Sánchez sobre impostos, sobretudo relacionando-os com serviços sociais, desde que não coloquem em risco o cumprimento das metas do défice.

Numa nota enviada após a publicação da notícia do El País, o Governo desmentiu que tenha oferecido ao PSOE uma reforma da Constituição e a presidência do Congresso dos Deputados em troca da abstenção dos socialistas na futura sessão de investidura do presidente do Governo.