O chefe de Governo de Espanha, Mariano Rajoy, apelou esta segunda-feira à União Europeia e aos seus vizinhos da margem sul do Mediterrâneo para que reforcem a cooperação contra o terrorismo jihadista, a «principal ameaça» que enfrentam.

«Ainda que alguns ainda não se tenham dado conta» o jihadismo é a principal ameaça que a UE e os países da Vizinhança Sul têm de enfrentar atualmente, afirmou Mariano Rajoy na sessão de abertura da reunião informal de ministros dos Negócios Estrangeiros UE-Mediterrâneo, esta segunda-feira em Barcelona.

A reunião ministerial informal - organizada pela União Europeia (UE), por Espanha e pela presidência da UE, atualmente assumida pela Letónia - juntará a chefe da diplomacia comunitária, a Alta Representante Federica Mogherini, o comissário europeu da Vizinhança, Johannes Hahn, bem como os representantes dos Negócios Estrangeiros de todos os países-membros da UE e dos seus parceiros da Vizinhança Sul - Argélia, Palestina, Tunísia, Líbano, Marrocos, Egito, Jordânia e Israel. A Líbia e a Síria não foram convidados.

O MNE português, Rui Machete, elegeu para «pontos cruciais» da sua intervenção na cimeira os temas do «reforço da cooperação na luta contra o terrorismo e a radicalização de jovens».

Na abertura da reunião, Rajoy acrescentou que só uma atuação conjunta das duas margens do Mediterrâneo se poderá lidar eficientemente com a ameaça do jihadismo.

«Que ninguém caia no erro crasso de falar do jihadismo como representante do Islão. Que ninguém se deixe arrastar para a falácia que alude a uma luta do Islão contra o Ocidente. Os terroristas constituem um desafio para todos e o mundo islâmico é tão vítima do flagelo terrorista como os outros.»


O presidente do Governo espanhol salientou ainda que o terrorismo «não conhece fronteiras», atingindo toda a gente, «independentemente da geografia e da religião».

Também na sessão de abertura, a alta representante da UE para a Política Externa e de Segurança, Federica Mogherini apelou igualmente ao reforço da cooperação da segurança na luta contra o terrorismo e contra a captação de jovens para o radicalismo islâmico, mas defendeu também o reforço das áreas económica, política e cultural entre as duas margens do Mediterrâneo.

«Os ataques terroristas nos países de ambas as margens do Mediterrâneo demonstram que se impõe um reforço da cooperação na luta contra o terrorismo» e «a melhor forma de trabalhar [para esse objetivo] é reforçar não só a segurança como também os setores económico, cultural e político», disse Federica Mogherini.

A chefe da diplomacia europeia disse que a UE ainda está a sofrer as consequências da crise económica, ao mesmo tempo que os países do Sul enfrentam uma «segurança frágil» por causa dos conflitos armados. Por isso mesmo, sublinhou, é que se assiste a «um crescimento do apelo ao jihadismo quer no Sul quer no Norte do Mediterrâneo».

«Estamos nisto todos juntos. Partilhamos um mar, uma origem e um dos lugares mais turbulentos e difíceis do mundo. Não há Norte ou Sul, estamos nisto juntos.»