Ataques pessoais, ataques políticos e poucas explicações para problemas concretos. É desta forma que se pode resumir o debate desta quinta-feira entre os pré-candidatos republicanos à nomeação para a corrida à Casa Branca.

Aliás, se fosse necessário resumir o 11.º debate dos republicanos em 10 segundos seria algo assim: Donald Trump chama “pequeno” a Marco Rubio. Marco Rubio ataca Trump com a polémica da Universidade. Ted Cruz diz que Trump tem um império porque herdou uma herança de 100 milhões. Trump chama “mentiroso” a Ted. John Kasich pede a todos que parem com ataques pessoais e diz-se confiante para as próximas primárias. No final, mais ou menos relutantes, acabam por admitir apoio a quem for escolhido para candidato.

Sim, mesmo que isso signifique que Rubio, Cruz e Kasich, que têm focado a sua campanha em tentar suprimir Trump da corrida, tenham de apoiar o magnata. E até Trump, que ameaçou lançar uma campanha independente diversas vezes, reiterou a resposta dos concorrentes.

 “Sim, vou apoiar [quem for nomeado]”, disse.

O debate, organizado e transmitido pela Fox News, a partir de Detroit, Estado do Michigan, revelou, ainda assim, um Trump mais contido, à defesa, e capaz de “mudar” algumas das suas convicções, como no caso da imigração.

Tantas vezes criticado pelas suas declarações sobre a entrada de mexicanos nos EUA, Donald Trump foi acusado por Marco Rubio de contratar trabalhadores no estrangeiro para poder ganhar mais dinheiro. Especificamente sobre os imigrantes, Trump foi, também, acusado de contratar estas pessoas para trabalhar nas suas propriedades nos Estados Unidos quando tantas vezes critica a entrada de migrantes.

O pré-candidato à frente da corrida – com sete Estados já “conquistados” – reverteu parte da sua posição “anti-imigração”, ao afirmar que a América precisa de “trabalhadores competentes” para crescer, independentemente do seu país de origem.

Porém, esta aproximação a um discurso mais moderado não esteve presente durante todo o debate, como já mencionado. Pelo contrário, ainda não tinham passado 10 minutos desde o início, quando Donald Trump decidiu responder a uma piada que Marco Rubio fez durante o fim de semana, sobre o tamanho das mãos, e órgão sexual, do pré-candidato.

Rubio disse na altura: “Ele está sempre a chamar-me ‘pequeno Marco’. Eu admito que ele seja mais alto que eu. Ele tem cerca de 1,88m, e é por isso que não percebo por que razão tem ele mãos pequenas. E sabem o que se diz de pessoas com mãos pequenas? (faz uma pausa) Não se pode confiar nelas”.

Ora Trump, que devido à pausa considerou que Rubio estava a referir-se, de forma disfarçada, ao tamanho do seu órgão sexual, resolveu abrir o debate com a seguinte resposta.

“Ele referiu-se às minhas mãos como sendo pequenas. Acham estas mãos pequenas? E se as mãos são pequenas, algo mais deve ser pequeno. Eu garanto que não há qualquer problema”.

Rubio foi respondendo, também, com ataques pessoais durante o debate, de forma a descredibilizar Trump. Chamou-lhe “flexível”, pelas suas mudanças de discurso, e voltou a trazer para a conversa a polémica em torno da Universidade de Trump (Trump University) – e as correspondentes acusações de fraude.

O senador do Estado da Flórida realçou, ainda, que mesmo com 10 Estados “no bolso”, dois terços dos republicanos votaram noutros candidatos que não Trump, o que prova que o Partido não quer que ele seja o candidato à Casa Branca.

Ted Cruz esteve mais contido nos ataques, ainda que, tal como Rubio, tenha entrado pelo caso da Trump University, e como a polémica será o centro da campanha de Trump quando estiver a concorrer contra o candidato democrata, e tenha tentado desvalorizar o lado empreendedor do magnata, acusando-o de ter começado o seu império depois de herdar uma fortuna.

Donald Trump limitou-se a chamá-lo de “Ted mentiroso”.

O quarto e último pré-candidato no debate, o Governador do Ohio, John Kasich, manteve-se à margem dos ataques pessoais e até chegou a apelar aos seus concorrentes que parem de usar essa estratégia. Ao servir como pausa entre as discussões cada vez que usava da palavra, John Kasich deve ter garantido alguns votos entre os espectadores fartos do ruído. Votos, aliás, que Kasich espera recuperar dos outros candidatos nos Estados a norte, quando estes tiverem as suas primárias e caucus.

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Mas o que de importante há a retirar é mesmo que todos admitiram apoiar o candidato que o Partido escolher, mesmo que seja Donald Trump. Garantias que podem ser importantes para impedir uma maior divisão dentro do partido, evidenciada na quinta-feira por Mitt Romney e John McCain, dois ex-candidatos à Casa Branca. Porque depois da “super terça-feira”, Trump tem já 10 Estados e 329 delegados, à frente de Ted Cruz, com quatro e 231 delegados, o que significa que até agora esse é o cenário mais provável.

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