O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou, nesta terça-feira, que o escândalo dos Papéis do Panamá "mostra a fragilidade das democracias", afirmando que aquilo que tem sido divulgado "é uma má notícia para quem defende a liberdade".

No final da visita ao Comando Conjunto para as Operações Militares do Estado-Maior General das Forças Armadas Portuguesas, em Oeiras, Marcelo Rebelo de Sousa foi questionado pelos jornalistas sobre os desenvolvimentos recentes do caso dos Papéis do Panamá, começando por afirmar que "a democracia e a paz são atingidas de várias maneiras", sendo uma delas "o terrorismo internacional, de perigos de natureza político-militar".

"Mas outra maneira de atingir o prestígio das democracias é pela sua fragilidade, pelo seu enfraquecimento. E aquilo que tem vindo a ser divulgado mostra a fragilidade das democracias", referiu.

Ser possível haver esquemas que parecem ser esquemas ilegais, à escala mundial e que atingem centros de poder político, económico e social importantes é uma má notícia para quem defende a liberdade, a democracia em termos de comportamento" na opinião do Presidente da República.

"Embora mostre que o papel, por exemplo da comunicação social, pode ser fundamental para denunciar o que está errado e que possa ser uma fragilidade da democracia que nós queremos forte", sublinhou ainda.

O caso dos Papéis do Panamá é uma investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla inglesa), do qual a TVi faz parte, e que destacou os nomes de 140 políticos de todo o mundo, entre eles 12 antigos e atuais líderes mundiais.

A investigação resulta de uma fuga de informação e juntou cerca de 11,5 milhões de documentos ligados a quase quatro décadas de atividade da empresa panamiana Mossack Fonseca, especializada na gestão de capitais e de património, com informações sobre mais de 214 mil empresas offshore em mais de 200 países e territórios.

A partir dos Papéis do Panamá (Panama Papers, em inglês) como já são conhecidos, a investigação refere que milhares de empresas foram criadas em paraísos fiscais para centenas de pessoas administrarem o seu património, entre eles rei da Arábia Saudita, elementos próximos do Presidente russo Vladimir Putin, o presidente da UEFA, Michel Platini, e a irmã do rei Juan Carlos e tia do rei Felipe VI de Espanha, Pilar de Borbón.