O ministro da Cultura moçambicano, Silva Dunduro, afirmou esta quinta-feira em Maputo que o país vai ratificar o Acordo Ortográfico, quando for oportuno, depois de o Presidente português ter admitido que o assunto pode ser repensado.

Ainda não se achou oportuno ratificar o Acordo Ortográfico, aliás, não somos só nós, Angola também não", disse Dunduro, em declarações aos jornalistas, à margem de um evento alusivo ao Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa).

Antes de ratificar o Acordo Ortográfico, prosseguiu Dunduro, o país deve refletir em torno das vantagens e desvantagens, para ter uma orientação clara sobre a decisão.

No discurso no âmbito de uma conferência em torno do Dia da Língua e da Cultura na CPLP, realizada na Universidade Pedagógica, em Maputo, o ministro da Cultura de Moçambique apontou a língua portuguesa como um veículo de promoção da cultura dos povos da organização.

A língua portuguesa deve continuar a desempenhar o seu papel de promoção, defesa, enriquecimento e difusão, mas acima de tudo, como veículo de cultura, educação, informação e acesso ao conhecimento científico, tecnológico e de utilização em fóruns internacionais", afirmou Dunduro.

O Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, considera que, se países como Moçambique e Angola decidirem não ratificar o Acordo Ortográfico, isso será uma oportunidade para repensar a matéria.

O chefe de Estado português assumiu esta posição em declarações à RTP África, durante a sua visita de Estado a Moçambique, afirmando que, enquanto cidadão, não seguia o novo Acordo Ortográfico.

Nós estamos à espera que Moçambique decida sim ou não ao Acordo Ortográfico. Se decidir que não, mais Angola, é uma oportunidade para repensar essa matéria", disse.

O chefe de Estado referiu que "o Presidente da República, nos documentos oficiais, tem de seguir o Acordo Ortográfico".

Mas o cidadão Marcelo Rebelo de Sousa escrevia tal como escrevem os moçambicanos, que não é de acordo com o Acordo Ortográfico", acrescentou.

O Acordo Ortográfico de 1990 tem sido adotado em ritmos diferentes nos Estados que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), estando à frente desse processo Portugal e Brasil.

O acordo já foi ratificado pelos parlamentos nacionais do Brasil, Portugal, Timor-Leste, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde.

Em Moçambique, a norma aguarda ratificação pelo parlamento e em Angola não foi regulamentado a nível governamental.

O acordo já tem o processo de adoção finalizado em Portugal, onde entrou em vigor a 13 de maio de 2015, apesar da oposição de grupos da sociedade civil.