As águas da costa espanhola atingiram temperaturas históricas no mês de junho. As medições, feitas pela Rede de Bóias de Águas Profundas e pela bóia costeira de Barcelona, atingiram valores nunca antes vistos.

Segundo o jornal El País, entre 2007 e 2017, mais propriamente entre os dias 1 e 22 de junho de cada ano, foram verificadas oscilações na temperatua da água entre os 0,5ºC e os 2,5ºC.

No ano passado, em junho, a maior subida registou-se em Tarragona. De 2016 para 2017, a bóia costeira resgistou um aumento de 2,53ºC na temperatura da água, no mar Mediterrâneo. Com esta subida, este ano, a água ultrapassou os 27ºC de temperatura, sendo esta a mais alta registada em toda a península espanhola.

No presente mês, também se registaram temperaturas altas da água, no Cabo Silleiro. A água atingiu os 20ºC, uma subida de 1,25ºC em relação a 2016. Em Bilbao-Vizcaya a água chegou aos 23,5ºC e no Cabo de Gata ficou pelos 24ºC.

Ana Casal, climatóloga na Agência Metereológica do Estado (Aemet), explicou que estas oscilações da temperatura da água nas costas espanholas são sinónimo de uma anomalia. A especialista referiu que “geralmente, a água está mais quente nas zonas de Múrcia, Valência e Alicante, enquanto que na entrada do Estreito se registam temperaturas mais amenas, entre os 20ºC e os 22ºC”.

Nos meses de setembro e outubro esperam-se temperaturas aquáticas ainda mais altas. Casal referiu que custa muito ao mar “reter calor e frio, por isso, enquanto que na terra se registam temperaturas mais altas em julho e agosto, no mar isso ocorre algum tempo depois”.

Este aumento da temperatura da água, para José Luis Acuña, ecologista marinho e professora na Universidade de Oviedo, pode causar um declínio das populações da fauna marinha e problemas para as espécies migratórias. O professor contou que “no Cantábrico, onde há cada vez mais dias do ano em que o mar ultrapassa os 20ºC, as florestas de macroalgas desapareceram praticamente nos últimos dez anos”.  

Com estas temperaturas altas chegam também espécies invasivas, o que não é bom. Acuña explicou que “é possível que cheguem populações favorecidas por causa das temperaturas altas”. Estudos recentes demonstraram que este probelma é mais grave no mar Mediterrâneo, onde se encontraram de 775 a 1.000 espécies invasivas. “No mar Cantábrico já se começaram a ver peixes que são típicos do sul”.