Por: Hugo Beleza | 1- 9- 2010 21: 28
Os números desta quarta-feira violenta em Maputo ainda não são claros nem definitivos. De acordo com os últimos dados avançados
pela imprensa local, que cita a polícia, haverá dez mortos. Mas, esta noite, ainda havia pessoas a dar entrada no hospital
central da capital Moçambicana. Um funcionário da Amnistia Internacional, que se encontra na cidade, disse ao tvi24.pt
que assistiu a disparos de munições reais e a uma violência desproporcionada por parte das autoridades.
Num contacto
telefónico, Fernando Chironda, funcionário da secção italiana daquela organização de defesa dos direitos humanos, disse que
o dia começou agitado na cidade. «A população começou a sair às ruas, de forma especial na periferia, para se manifestar contra
os aumentos dos combustíveis, do pão e da electricidade».
O italiano salientou que os manifestantes cortaram estradas,
incendiando pneus. Disse também que viu lojas a serem pilhadas por pessoas que se aproveitaram do caos. Mas considerou que
a resposta dada pelas autoridades foi, em muitos casos, desproporcionada. «Pude ver com os meus próprios olhos a polícia a
bater em cidadãos com as armas e aos pontapés, quando já os tinha apanhado», disse o italiano.
Vários dos detidos
foram levados «a sangrar» em carrinhas de caixa aberta, com os agentes da polícia «sentados por cima deles».
Mas,
mais preocupante do que estes casos, para Fernando Chironda, são as munições utilizadas pelos agentes. «Vi com os meus olhos
disparos de fogo real. Fui falar com a polícia para saber que tipo de balas estavam a usar. E eles diziam que estavam a usar
balas verdadeiras.
O funcionário da Amnistia Internacional salientou que visitou ao início da noite o hospital
central de Maputo. «Encontrei uma lista enorme do hospital que confirmava a morte de 6 pessoas, entre elas dois menores, cuja
idade não era especificada». Chironda contou que viu «muitas pessoas feridas, com fracturas, algumas delas levadas pela polícia».
«Naquele momento estava a chegar um senhor de origem nigeriana com uma ferida na cabeça. O irmão disse-me que ele
desceu à rua para comprar créditos para o telefone e foi atingido por uma bala perdida», anotou.
Avenidas cortadas
Fernando
Chironda disse que com o chegar da noite a situação acalmou. Pelo menos no centro da cidade. «A polícia bloqueou todas as
grandes avenidas que partem da periferia para o centro», contou, acrescentando: «Tudo parece mais tranquilo, mas ouve-se um
tiro de vez em quando».
O funcionário da Amnistia Internacional espera que quinta-feira amanheça sem violência,
apesar da incerteza que se vive. Mas, mesmo que isso aconteça, a vida na cidade deverá ainda demorar mais um dia a regressar
à normalidade, já que será necessário limpar muitos dos seus acessos. «As estradas estão todas intransitáveis».
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