A cidade de Maputo, capital de Moçambique, está a ser palco de uma espécie de «guerra» esta quarta-feira, na sequência de uma greve que originou manifestações aparentemente espontâneas.

Os distúrbios começaram logo de madrugada, com estradas bloqueadas, apedrejamentos e pneus a arder, e foram-se aproximando do centro da cidade.

À fúria dos manifestantes, que protestam contra o aumento dos preços da água, da luz e de outros bens como a gasolina, juntou-se a reacção violenta da polícia: pelo menos duas crianças foram mortas e, apesar de faltarem números oficiais, há relatos de seis mortos e 42 feridos.

Durante algumas horas, a Escola Portuguesa de Moçambique esteve cercada pela polícia, conforme adiantou ao tvi24.pt a directora Dina Trigo Mira.

Um avião da TAP ficou retido no aeroporto de Maputo, mas já está prestes a sair.

O testemunho de uma portuguesa a residir actualmente em Maputo descreve-nos uma «cidade deserta», com «colunas de fumo» que se vêem a vários quilómetros de distância.

«Havia boatos de que ia haver uma greve, uma manifestação não autorizada. Toda a gente foi trabalhar só que entretanto começou a haver distúrbios nos arredores e achou-se melhor parar de trabalhar. As pessoas comentavam que seria pior se se furasse a greve, podia haver retaliações», contou Marta Botelho ao tvi24.pt.

A engenheira civil de 25 anos, que mora no centro da cidade, juntamente com muitos outros portugueses, relatou que os estabelecimentos comerciais estão todos fechados «para não haver confusão». «Diz-se que a confusão se está a aproximar daqui...», afirmou.

A portuguesa adiantou que o aumento dos bens primários e dos combustíveis foi «muito grande», tendo chegado aos 25 por cento no caso da gasolina.