Por: Redacção / MM | 2- 9- 2010 9: 15
NOTÍCIA ACTUALIZADA ÀS 11:20
A noite e madrugada foram calmas em Maputo. Esta manhã, no entanto, já há
registo de incidentes na capital
moçambicana.
Há mesmo relatos de um forte tiroteio na Avenida Julius Nyerere, entre Magoanine e Xiquelene, constatou
a Agência Lusa. No local está um grande contingente policial, da PRM (Polícia da República de Moçambique) e da Força de Intervenção
Rápida.
Populares arrastaram contentores de lixo para a estrada, voltando a erigir barricadas, queimando pneus na
zona do Zimpeto, periferia de Maputo, onde se registam confrontos com a polícia.
O Zimpeto fica na zona de saída
de Maputo, em direção ao norte do país. Na manhã de hoje, algumas pessoas tentaram sair da cidade de carro, mas foram impedidas
por populares. Maputo continua isolada.
De acordo com o último balanço oficia, desde o início dos confrontos há registo
de seis mortes. Após uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros, o ministro da Saúde de Moçambique, Ivo Garrido,
adiantou, ainda, que mais de 80 pessoas ficaram feridas.
Polícia nos bairros
Também já hoje se registaram
confrontos entre manifestantes e polícia na Avenida do Trabalho, no bairro da Chamanculo, com estradas cortadas e pneus a
arder. A polícia está a fazer rusgas no bairro.
Os transportes públicos continuam sem funcionar, esta quinta-feira,
obrigando milhares de pessoas a andar a pé. O comércio mantém-se encerrado, avança a agência Lusa.
Um dia depois
dos violentos
confrontos entre a polícia e manifestantes , que em protesto contra o aumento do custo de vida cortaram os acessos
a Maputo e várias ruas dentro da capital, a situação é de calma no início da manhã. Nos bairros periféricos, onde na quarta-feira
se registou a maior violência, não há confrontos e regista-se forte presença policial nalguns locais, constatou a Lusa no
local.
Na quarta-feira, pelo menos dez pessoas morreram, nos confrontos mais violentos, em vários anos. Em Maputo,
registou-se ainda uma centena de feridos.
As marchas de protesto popular contra o aumento dos preços da água, electricidade e pão acabaram
em vandalismo, pilhagens e confrontos com a polícia. A confusão começou nos subúrbios, mas rapidamente chegou ao centro da
cidade.
O principal partido da oposição, a Renamo, acusou as autoridades de ter usado balas reais contra os manifestantes
e exige a demissão do ministro do Interior.
O presidente Armando Guebuza já falou ao país e apelou à calma e à serenidade.
«Vi
com os meus olhos disparos de fogo real»
Maputo: duas crianças mortas pela polícia
Com três horas de atraso, o voo da TAP, retido em Maputo, aterrou no aeroporto de Lisboa. À chegada, ouviram-se testemunhos de quem assistiu aos confrontos. Há casos de pessoas que chegaram a ser
apedrejadas.
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