Ser homossexual na Índia não é fácil, ser príncipe e gay ainda é mais complicado. Apesar da pressão familiar e social, Manvendra Singh Gohil assumiu-se. O balanço de mais de dez anos de ativismo deste membro de uma família real que “saiu do armário” numa Índia que pune a homossexualidade, mas que parece estar a mudar, em parte graças ao seu trabalho.

 

 

O Supremo Tribunal indiano deu ordem a uma comissão para estudar a eventual alteração da lei que criminaliza a homossexualidade, depois de várias petições feitas nesse sentido. Este é o princípio e não o fim, segundo Manvendra Singh Gohil. 

Os direitos dos gays não podem só vencer no tribunal, mas também nos corações e nas mentes das pessoas com quem convivemos”, afirmou o príncipe.

Com a sua organização não governamental, Lakshya Trust, Manvendra Singh Gohil aproveitou a exposição pública para encetar um trabalho em defesa dos homossexuais e é hoje, quiçá, o mais conhecido defensor dos direitos da comunidade LGBT indiana. Já levou a sua mensagem a vários meios de comunicação social internacionais. Foi entrevistado três vezes por Oprah Winfrey.

 

 

 

“Valeu a pena” ter tido a coragem de assumir que é gay no seio de uma família conservadora, num país conservador, concluiu o monarca na entrevista.

Somos todos seres humanos. Somos todos iguais. Tudo o que queremos é amor”.

 

Príncipe só assumiu homossexualidade aos 40 anos

O príncipe de Rajpipla foi o primeiro membro de uma família real a revelar que não é heterossexual. Todavia, só assumiu publicamente a homossexualidade quando tinha 40 anos, numa entrevista, em 2006, embora tivesse descoberto a sua atração por pessoas do mesmo sexo muito antes. 

“Quando tinha 12 ou 13 anos, percebi que não me sentia atraído por pessoas do sexo oposto, mas por pessoas do mesmo sexo. Não havia Internet. Não havia ninguém que me explicasse o que é que eu sentia”, disse numa entrevista ao Come Out Loud.

Por isso, apesar dessas dúvidas, Manvendra Singh Gohil quis ser “normal” e até casou com uma princesa, mas o matrimónio durou pouco tempo.

Já tinha começado o seu trabalho na fundação quando fez a revelação aos pais, em 2002.  A família levou-o a médicos e perguntavam se havia alguma operação que o tornasse “normal”. Sem sucesso. A rainha anunciou publicamente que o deserdava. Tempos que já lá vão. 

Manvendra Singh Gohil é hoje um homem feliz.