O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, afirmou que a Europa não pode receber todos os refugiados que fogem da Síria e do Iraque, pois, “caso contrário, a nossas sociedades ficarão completamente desestabilizadas”.

Em entrevista à televisão britânica BBC, durante a sua participação no Fórum Económico e Social, em Davos, na Suíça, Manuel Valls, teceu considerações sobre o futuro da Europa e a sua segurança, instigando a uma ação urgente para controlo das fronteiras.

“Se a Europa não é capaz de proteger as suas fronteiras, é toda a ideologia de Europa que é posta em causa”, disse.


E Valls não se referiu apenas às fronteiras entre a Europa e o exterior, mas também as fronteiras dentro da Europa, considerando que a “conceção de Europa” está gravemente em risco, quando questionado sobre a continuidade do acordo de Schengen, que abriu as fronteiras entre os países signatários há muitos anos.

Sem se referir diretamente à chanceler alemã, Angela Merkel, Manuel Valls sublinhou, no entanto, que “uma mensagem que diz ‘venham, serão bem-vindos’ provoca grandes alterações”.

E concretizou: “Sabemos perfeitamente que após os incidentes de Colónia – mas não só na Alemanha, noutros países do norte da Europa, Áustria, Balcãs confrontados com este aumento do fluxo – precisamos de soluções para as nossas fronteiras”.


Uma entrevista dada no dia em que dois naufrágios vitimaram, pelo menos, 21 pessoas, e que ainda há dezenas de desaparecidos junto à costa grega. 

Em 2015, um milhão de pessoas chegaram à Europa por mar e mais de 30 mil por terra. A Comissão Europeia convocou, esta sexta-feira, os ministros dos Negócios Estrangeiros dos estados-membros para uma reunião na segunda sobre o controlo de fronteiras, noticia a Reuters.

 

França vai continuar em estado de emergência


Com o massacre de 130 pessoas em Paris bem presente na memória e poucos dias depois de ter passado um ano sobre o ataque ao jornal satírico Charlie Hebdo, Manuel Valls anunciou que o estado de emergência em França, decretado em novembro de 2015 e previsto durar três meses, é para manter até a “guerra” contra o Estado Islâmico acabar.

O primeiro-ministro afirmou que a França está em “guerra”, e isso significa “ dispor de todos os meios que a nossa democracia permite legalmente usar para proteger o povo francês”.