O primeiro-ministro francês admitiu, nesta quinta-feira, que o paradeiro de Salah Abdeslam, o terrorista que escapou após os atentados de Paris de dia 13, é desconhecido das autoridades.
 
“Não [sabemos onde está]", assumiu Manuel Valls, em entrevista à France 2.
 
Tal como assumiu desconhecer como Abdelhamid Abbaoud entrou em França. “A investigação o determinará”, indicou.
 
O primeiro-ministro afirmou que a ameaça em França “não está menos forte” com a morte do mentor dos atentados de Paris e que “continua a existir”.

“Não sabemos se há outros grupos de indivíduos, grupos de guerra, podemos imaginar. A ameaça vai ser longa e permanente”, reconheceu.
 
Tal como disse o procurador de Paris, François Molins, na conferência de imprensa de quarta-feira, também Manuel Valls afirmou que “é perfeitamente possível pensar que esta célula se preparava para cometer novos atentados em França”.
 

“Enfrentamos uma ameaça permanente, em França e na Europa (…) Estes atentados foram preparados metodicamente desde a Síria e a Bélgica. Há um certo número de indivíduos que representam um perigo real. É preciso persegui-los.”

 
Questionado sobre a possibilidade de o Estado Islâmico utilizar armas químicas nos ataques a França, Manuel Valls admitiu o cenário.
 

“Não quero que os franceses tenham medo. Mas estamos numa guerra nova, não convencional. Estes indivíduos sozinhos podem atacar com facas mas sabemos que o Estado Islâmico utilizou armas bacteriológicas na Síria. Não temos particularmente essa indicação, mas quero apenas dizer que esta organização terrorista pode utilizar todas as formas de armas. Temos de conhecer todas as armas do inimigo e estar preparados."


O trabalho dos serviços franceses de inteligência tem sido questionado nos últimos dias, mas Manuel Valls recusou falar em erro.
 

“Não pronunciarei a palavra ‘falha’. Estes terroristas estão dissimulados, não comunicam pelo tipo de telefone que todos temos. Obviamente, há ilações a retirar. Pela primeira vez criámos uma lei que dá aos serviços de inteligência meios consideráveis.”

 
Manuel Valls admitiu, igualmente, a hipótese de alguns terroristas terem entrado em solo europeu com estatuto de refugiados.
 
“Talvez alguns desses indivíduos se tenham aproveitado da crise de refugiados e se encontrem já na Europa”, assumiu, ressalvando: “Mas quando a lei Schengen não existia a França também era alvo de atentados. Podemos sempre atravessar as fronteiras, não existem fronteiras herméticas. É preciso que cada país assuma a sua responsabilidade.»