Um jovem de 18 anos foi baleado mortalmente com um tiro na cabeça, esta quarta-feira, durante confrontos entre manifestantes em Caracas, e uma mulher de 24 anos foi igualmente morta a tiro no estado de Táchira. A Venezuela vive esta quarta-feira horas de grande tensão com megas manifestações, contra e a favor do Governo de Nicolás Maduro.

De acordo com a agência Reuters, que cita testemunhas e um membro da família, Carlos Moreno, um estudante de 18 anos, ia a caminho de um jogo de futebol, e não planeava participar na que foi descrita como a “mãe de todas as manifestações”, quando apoiantes do governo se aproximaram de uma contramanifestação da oposição e dispararam tiros.

Ainda de acordo com a Reuters, que volta a citar testemunhas e membros da família, uma mulher de 24 anos terá sido igualmente baleada noutra manifestação contra o regime de Maduro, no estado de Táchira. A agência Efe acrescenta que as autoridades ainda não esclareceram as circunstâncias da morte.

A mulher não participava no protesto, ela estava a quatro quarteirões do protesto e abrigou-se na praça San Carlos, juntamente com outras pessoas, quando começaram os tumultos”, relatou à agência noticiosa espanhola um jornalista presente no local dos acontecimentos.

A mesma fonte indicou que, de acordo com testemunhas, a mulher decidiu sair da praça vários minutos depois e que um grupo de supostos civis armados, que haviam atuado contra a manifestação, disparou sobre ela “à queima-roupa e sem troca de palavras”.

O corpo da vítima foi levantado por uma comissão do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminais, no meio de “protestos de moradores” contra a violência, disse ainda.

O governador opositor e candidato presidencial por duas vezes, Henrique Capriles, referiu-se aos acontecimentos através da conta na rede social Twitter, em que partilhou uma nota de respeito e acrescentou: “Aqui está a resposta de Maduro – matar venezuelanos”.

As ruas das principais cidades da Venezuela estão esta quarta-feira a ser palco daquela que já foi descrita como a “mãe de todas as manifestações”, no dia do 207º aniversário da "revolução" de 1810, que levou à independência do país. Centenas de milhares de pessoas saíram à rua, alimentado manifestações e contramanifestações em várias cidades do país. A escalada da tensão provocou confrontos entre os manifestantes e a polícia, com as autoridades a lançarem gás lacrimogéneo. A escalada de tensão deixa antever uma noite difícil.

O ambiente está incendiado com a decisão do governo venezuelano de entregar armas aos civis, uma medida que já foi condenada pela Organização dos Estados Americanos (OEA). Os protestos são contra a alegada rutura constitucional e contra duas sentenças em que o Supremo Tribunal de Justiça limita a imunidade parlamentar e assume as funções do Parlamento, onde a oposição detém a maioria.

A mobilização convocada para o centro de Caracas é uma dos 26 protestos promovidos pela oposição na capital com o objetivo de se juntarem numa grande marcha, que se dirigiria à sede principal da Defensoria del Pueblo, uma espécie de procuradoria popular, localizada perto do local dos acontecimentos.

Antecipando o protesto, Nicolás Maduro prometeu uma reação implacável. O presidente convocou as Forças Armadas para as ruas de Caracas e ordenou também que se dispersem por todo o país. O presidente venezuelano anunciou ainda que vai armar meio milhão de civis como elementos da Milícia Nacional Bolivariana, um corpo de apoio às Forças Armadas que já conta com centenas de milhares de efetivos, e que serão enviados "em defesa da moral, da honra, do compromisso com a pátria".

Em paralelo, o Governo anunciou uma "marcha histórica", em Caracas, para assinalar o aniversário da "revolução".

Desde o início de abril, uma onda de manifestações foi marcada por violentos confrontos com a polícia que fizeram pelo menos seis mortos e centenas de feridos.