O secretário-geral da UGT ( União Geral de Trabalhadores) espanhola, Cándido Méndez denunciou que o Ministério Público pede 120 anos de prisão em 13 das 17 comunidades autónomas, avança o El País. «Há 35 anos que tem havido uma correta interpretação do direito constitucional de greve e agora há um desequilíbrio em favor do Código Penal e em detrimento dos trabalhadores», diz Méndez.

Também Ignacio Fernandez Toxo, secretário-geral da CC OO (Comissões Operárias), diz esta questão é um ataque «sem precedentes» a um direito fundamental. É uma maneira de «causar medo, de desencorajar», continua, que se traduz em «ações que visam alterar o direito à greve».

O artigo 315 do Código Penal que sustenta as acusações destina-se a punir aqueles que «impedem ou limitam o exercício da liberdade de associação ou o direito à greve».

Por isso Toxo destaca que para ele é sarcástico já que: «o direito ao trabalho é violado todos os dias neste país e não pelos sindicalistas».

A CC OO e UGT lançaram uma ofensiva nas ruas e nos estabelecimentos. Na terça-feira há uma concentração em Madrid, que será repetida por toda a Espanha a 9 de julho.

Os sindicatos solicitaram uma entrevista com o primeiro-ministro, Mariano Rajoy, para tratar destas questões e enviaram uma carta denunciando o julgamento de processos criminais. Até agora não obtiveram resposta.

São mais de 260 as acusações que envolvem indivíduos que pertencem a UGT e a CC OO, os sindicatos contabilizaram 81 processos penais e administrativos em Espanha.

A CGT (Confederação Geral do Trabalho) na Catalunha, Cuenca, Madrid, Castellón e La Rioja vê onze membros enfrentarem a prisão pela participação em protesto.

Na Galiza foram condenadas quatro pessoas, de dois a três anos, da CIG União.

Também quatro indivíduos não filiados a qualquer sindicato foram condenados a três anos de prisão em Granada e Vigo por participarem em manifestações ativamente.