Um homem foi morto a tiro no sábado em mais um dia de protestos na capital do Haiti onde a população exige a saída do Presidente e do primeiro-ministro.

Os confrontos eclodiram quando centenas de jovens tentaram romper as barricadas da polícia para entrar no palácio presidencial.

«Encontrámos um corpo. A vítima teria cerca de 30 anos, não está ainda identificado, mas não estava a participar nos protestos», disse o porta-voz da polícia, Garry Derosiers à AFP.

As autoridades não adiantaram também quem poderá ter feito o disparo fatal.

Na noite de sexta-feira, em comunicado ao país, o Presidente Michel Martelly disse que o primeiro-ministro Laurent Lamothe estava pronto a abandonar o poder para facilitar a saída da crise, mas não especificou nenhuma data para essa saída.

Milhares de pessoas voltaram às ruas do Haiti na sexta-feira para exigir a demissão do Presidente e do primeiro-ministro, num protesto que terminou com incidentes junto ao palácio presidencial.

Os manifestantes apelaram aos Estados Unidos para mudaram os dirigentes do Haiti, numa altura em que um representante do Departamento de Estado norte-americano realiza uma missão de dois dias ao país para se reunir com os líderes da oposição, setor privado e governo sobre a crise política.

Durante o protesto, os manifestantes forçaram as barreiras de proteção colocadas pela polícia haitiana, que disparou armas automáticas para dispersar a multidão, enquanto as forças de paz da ONU usaram gás lacrimogéneo para afastar os que se aproximavam do palácio nacional.

Jovens ativistas da oposição chegaram a atirar pedras contra os elementos da missão das Nações Unidas no Haiti e um carro da força de paz foi atingido.

A oposição, que apelou para dois novos dias de protestos, entrou num braço de ferro com o Presidente do Haiti, Michel Martelly, acusando-o de querer estabelecer uma ditadura no país.

Há mais de três anos que são esperadas eleições parlamentares e municipais no Haiti e o prazo que o parlamento haitiano propôs acaba a 12 de janeiro de 2015.