A plataforma Societade Civil Catalã (SCC) estima que 950 mil pessoas estão a manifestar-se desde hoje de manhã em Barcelona contra a independência da Catalunha e a favor da unidade de Espanha. Milhares de pessoas manifestaram-se entre a Plaza Urquinaona e a estação ferroviária Francia, na capital catalã, empunhando bandeiras espanholas, catalãs e europeias, sob o lema "Vamos recuperar o bom senso".

A manifestação, que contou com a presença de políticos do Partido Popular, do Partido Cidadãos e do Partido Socialista Catalão PSC, realizou-se dois dias antes de o presidente da Generalitat (governo autónomo catalão), Carles Puigdemont, ir ao parlamento catalão para apresentar com uma declaração de independência. Apesar dos números avançados pela entidade organizadora, a Polícia Municipal já afirmou que o número de manifestantes não supera os 350 mil. Ainda assim, milhares saíram para as ruas da Catalunha. 

O Nobel Mario Vargas Llosa criticou hoje a "paixão nacionalista", chamou "golpistas" aos líderes do governo regional e realçou que a "conspiração independendista não destruirá 500 anos de história" de Espanha unida nem a converterá num país "terceiromundista".

O escritor participou na manifestação desta manhã e no final da caminhada, várias personalidades discursaram, e depois do presidente da Societat Civil, foi Mario Vargas llosa que tomou a palavra, afirmando que "todos os povos modernos ou antigos vivem na sua história momentos em que a razão é ultrapassada pela paixão nacionalista" que "pode ser destrutiva e feroz quando é movida pelo fanatismo e pelo racismo".

O manifesto da Sociedade Civil Catalã, lido no final da marcha realizada, pede o fim da "marginalização" dos catalães não-independentistas, bem como do "confronto" e da "dor" vivida pela população da Catalunha na sequência do referendo.

"Nenhum ator político deve evitar que os catalães não-independentistas façam parte da paisagem e que também pertencem à sociedade catalã. Não há marginalização, temos o direito de ser ouvidos e de ser levados em consideração", diz o manifesto.

O texto, inicialmente lido em espanhol pelo vice-presidente da SCC, Álex Ramos, apela ao "bom senso" e destaca a "vontade de encerrar um processo que mergulhou os catalães em confrontos, confusão, dor e desespero".

O presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, publicou hoje numa mensagem no Twitter uma mensagem aos manifestantes reunidos em Barcelona, Catalunha, pela unidade de Espanha.

"Em defesa da democracia, da Constituição e da liberdade. Preservaremos a unidade de #Espanha, #NoEstaisSolos" é a mensagem que Mariano Rajoy enviou através da sua conta pessoal do Twitter aos milhares de manifestantes.

O vice-presidente da SCC, José Domingo, pediu hoje ao presidente da 'Generalitat’ da Cataluha, Carles Puigdemont, para não cometer "a insensatez e a provocação de declarar a independência” e instou à "recuperação do senso comum" na Catalunha.

No  sábado, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, garante que Madrid impedirá que uma eventual declaração de independência da Catalunha produza quaisquer efeitos. Mariano Rajoy asseverou-o numa entrevista El País, publicada este domingo. 

"O Governo vai impedir que qualquer declaração de independência leve ao que quer que seja”.