Centenas de peruanos marcharam na quarta-feira pelas ruas da capital, Lima, num protesto contra a impunidade de casos de corrupção e em defesa da democracia no país.

A mobilização, que decorreu sob o lema “contra o golpe e a corrupção”, foi fruto de uma iniciativa de grupos de defesa dos direitos humanos, organizações sociais, sindicatos e partidos políticos como os esquerdistas Frente Amplio e Nuevo Perú.

Os manifestantes concentraram-se na praça San Martín e percorreram as principais ruas e avenidas do centro de Lima com o objetivo de demonstrar a sua indignação contra a classe política que tem governado o país nas últimas três décadas.

A líder do Nuevo Perú, Verónika Mendoza, que foi a terceira candidata mais votada nas eleições presidenciais do Peru no ano passado, também participou na marcha.

Durante o protesto, os manifestantes pediram celeridade nas investigações relacionadas com o caso Odebrecht, empresa brasileira que admitiu ter pagado subornos a funcionários peruanos entre 2005 e 2014 em troca da adjudicação de grandes obras públicas.

Esse período cobre os mandatos presidenciais de Alejandro Toledo (2001-2006), com mandado de captura por alegadamente ter recebido um suborno de 20 milhões de dólares; Alan García (2006-2011), implicado no processo de entrega de donativos ao Metro de Lima; e Ollanta Humala (2011-2016), que foi preso por suposto financiamento irregular das suas campanhas.

O caso Odebrecht também implica vários governos regionais, como os de Cuzco e Callao, além da ex-autarca de Lima Susana Villarán, que alegadamente terá financiado a campanha contra o referendo organizado para a censura com fundos das brasileiras Odebrecht e OAS.

O protesto de quarta-feira em Lima também foi dirigido contra o que os manifestantes descreveram como uma tentativa de “golpe de Estado” por parte do ‘fujimorismo’, com denúncias que tramitam no Congresso, dominado pelo partido Fuerza Popular, de Keiko Fujimori, filha do ex-presidente preso Alberto Fujimori (1990-2000), contra o procurador-geral, Pablo Sánchez, e quatro magistrados do Tribunal Constitucional.

A queixa contra Pablo Sánchez é por supostamente ter encoberto as empresas peruanas que participaram em consórcio com a Odebrecht nas propostas de a empresa ganhou através do pagamento de subornos.

No caso do Tribunal Constitucional, a denúncia vai contra o cálculo de votos de uma sentença de 2013 sobre o caso El Frontón, em que diz não estar habilitado para decidir se constituem crimes contra a humanidade as presumíveis execuções extrajudiciais do exército peruano de reclusos condenados por terrorismo que se entregaram após um motim em junho de 1986.

Esse motim, que teve lugar em três prisões próximas de Lima (São Pedro, Santa Bárbara e El Frontón) e foi protagonizado por presos do Sendero Luminoso, resultou em pelo menos 250 mortos.