A Venezuela saiu ontem à rua, na capital Caracas, contra o presidente Nicolas Maduro. Para além dos dois mortos a tiro nas manifestações, há hoje a indicação de que um militar venezuelano foi morto também a tiro, em San Antonio de los Altos, no estado de Miranda, perto da capital. Houve também mais de 500 detidos, na sequência do violento protesto e manifestações de censura.

As autoridades venezuelanas ordenaram às operadoras de televisão por cabo que suspendessem a emissão das estações El Tiempo, da Colômbia, e Todo Notícias, da Argentina, precisamente por terem transmitido as manifestações contra o Governo na quarta-feira.

A medida foi ordenada pela Comissão Nacional de Telecomunicações da Venezuela (Conatel) e confirmada aos jornalistas pelo presidente da operadora Directv, Héctor Rivero.

Segundo a imprensa venezuelana, durante as manifestações de quarta-feira, a favor e contra o Presidente Nicolás Maduro, várias pessoas disseram, através das redes sociais, que o sinal do canal tinha desaparecido.

Centenas de detenções

Para além das vítimas mortais, pelo menos 521 pessoas foram detidas e reprimidas pela Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militar).

"Está a aumentar o número de detidos que estamos a registar. São mais de 400 a nível nacional", anunciou o diretor da organização não-governamental Foro Penal Venezuelano, Gonzalo Himiob, através da sua conta no Twitter.

Segundo o responsável, foram detidos manifestantes em Caracas e nos estados de Nova Esparta, Táchira, Carabobo, Miranda, Anzoátegui, Bolívar, Arágua, Barinas, Cojedes, Monágas e Zúlia.

Maduro ameaça presidente do parlamento

Nicolás Maduro ameaçou o presidente do parlamento de detenção, justificando que este está a liderar um golpe de estado.

Apoiantes do presidente venezuelano marcaram presença numa contra-manifestação na capital, onde Maduro disse que já foram detidas mais de 30 pessoas e lançou acusações e ameaças ao presidente da assembleia nacional, Júlio Borges.

“És o chefe do golpe de Estado. Depois não te queixes quando a justiça atuar contigo. Estou a avisar-te com tempo…”

"Mãe das marchas" continua?

A aliança opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) apelou já aos venezuelanos para continuarem com os protestos pacíficos nas ruas e repetirem hoje, quinata-feira, a marcha de ontem, popularmente chamada de a "mãe das marchas".

A resistência pacífica manter-se-á nas ruas até que [o Presidente] Nicolás Maduro entenda que deve respeitar a Constituição. O Governo deu um auto golpe e devemos continuar a exercer o nosso direito de protestar".

O ex-candidato presidencial Henrique Capriles Radonski disse aos jornalistas que a "mãe das marchas" terá os mesmos pontos de partida e rotas que a anterior manifestação, nos principais Estados do país.