A jornalista que liderava a investigação Panama Papers em Malta morreu num ataque à bomba perto de casa, na segunda-feira. Segundo o jornal The Guardian, Daphne Caruana Galizia, de 53 anos, morreu depois de um engenho explosivo ter desfeito em pedaços o seu carro, um Peugeot 108.

Caruana Galizia tinha um blog, chamado Running Commentary, que atraia muitos leitores e que foi comparado ao Wikileaks pelo influente jornal norte-americano Politico.

A jornalista partilhou aquele que viria a ser o seu último texto às 14:35 e o alerta sobre a explosão foi recebido pela polícia pouco depois das 15:00. Um dos filhos ouviu a explosão do interior da casa e correu para o local.

De acordo com a imprensa do país, Caruana Galizia apresentou queixa na polícia há 15 dias, afirmando que estava a receber ameaças de morte.

Nos últimos dois anos, a jornalista, que dizia não ter qualquer filiação partidária, investigava os Panama Papers, cerca de 11,5 milhões de documentos provenientes da sociedade de advogados Mossack Fonseca que foram divulgados por um consórcio de jornalistas de investigação.

Em revelações recentes, Caruana Galizia apontou o dedo ao primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat, e a dois dos seus principais aliados. Em causa estava a relação de empresas offshore ligadas a estes homens com a venda de passaportes de Malta e pagamentos do governo do Azerbeijão.

Numa reação à notícia da morte da jornalista, a presidente de Malta, Marie-Louise Coleiro Preca, pediu calma ao país e contenção nas palavras.

Nestes momentos em que o país está em choque com um ataque como este, apelo a todos para meçam as palavras, não façam julgamentos e mostrem solidariedade."

Joseph Muscat também já condenou o ataque que considerou “bárbaro”. Em comunicado, o primeiro-ministro disse que a polícia vai pedir ajuda aos serviços secretos de outros países para identificar os autores do ataque.

Toda a gente sabe que Caruana Galizia era uma daz vozes que mais me criticava, tanto no âmbito político como pessoal, mas ninguém pode justificar este ato bárbaro.”

Já depois de ter divulgado esta nota, Muscat anunciou, no parlamento, que agentes do FBI estavam a caminho de Malta para ajudar na investigação.