O míssil BUK que abateu o MH17 no leste da Ucrânia acertou no lado esquerdo do cockpit e partiu o avião da Malaysia Airlines ao meio ainda no ar, revelou, esta terça-feira, o Conselho de Segurança holandês responsável pela investigação ao acidente.

A explosão do míssil aconteceu a cerca de um metro do cockpit, matando os três membros da tripulação de voo e partindo a parte da frente do avião.

No entanto, a investigação não conseguiu concluir de onde é que o míssil foi disparado, tendo apenas identificado uma área de 320 quilómetros quadrados de onde o míssil foi lançado. Tjibbe Joustra, presidente do Conselho da Segurança, revelou que os 15 meses de investigação permitiram concluir que o míssil que atingiu o Boeing 777 foi disparado com o sistema BUK.

Joustra afirmou ainda que as autoridades ucranianas tinham "razões suficientes" para fechar o espaço aéreo naquela zona, mas  “ninguém pensou” na possível ameaça para a aviação civil.  Segundo o Conselho, o avião nunca deveria ter sobrevoado o espaço aéreo no leste da Ucrânia já que o mesmo deveria estar fechado.

De acordo com o relatório, no momento em que o míssil embateu no avião os passageiros que não morreram de imediato ficaram inconscientes.

Esta terça-feira, os investigadores holandeses revelaram ainda a reconstrução da secção frontal do avião. Parte do nariz, do cockpit e da primeira classe do Boeing 777 foram reconstruídos com fragmentos do avião recuperados da zona do acidente e levado para a base aérea de Gilze-Rijen, na Holanda.
 

O relatório final é apresentado esta quinta-feira, após 15 meses de investigações. Antes da divulgação oficial, um jornal holandês deu conta de que os investigadores internacionais tinham concluído que o avião da Malaysia Airlines, foi abatido por um míssil BUK, de fabrico russo, disparado do leste da Ucrânia. 

O Boeing 777 da Malaysia Airlines foi abatido a 17 de julho de 2014 no leste da Ucrânia, numa zona de combates entre separatistas pró-russos e forças governamentais, quando fazia a ligação entre Amesterdão e Kuala Lumpur.  

​O acidente matou 298 pessoas. Foram encontradas e identificadas partes de corpos de todos os passageiros, com exceção de dois holandeses. 

A Ucrânia e os Estados Unidos afirmam que o aparelho foi abatido pelos separatistas pró-russos com um míssil terra-ar do tipo BUK fornecido pela Rússia. Moscovo, por seu turno, “aponta o dedo” às forças ucranianas.