Completam-se esta terça-feira dois anos desde que o avião da Malasya Airlines desapareceu sem deixar rasto. As autoridades não sabem explicar o que aconteceu e o incidente continua a ser um dos maiores mistérios da aviação.

Foram semanas de buscas, mas nenhum sinal dos destroços ou dos passageiros.

Foi rastreada uma área de 120 mil quilómetros quadrados, estando ainda por analisar aproximadamente 30 mil São já as buscas mais caras da história da aviação.

Uma associação de familiares dos desaparecidos no voo MH370 pediram agora que fosse iniciada uma investigação na costa da África oriental, depois de terem sido encontrados, em Moçambique, destroços que podem ser do avião.

Mas dois anos depois, ainda há muito por explicar.

O que sabemos

O voo MH370 da Malasya Airlines partiu a 8 de março de Kuala Lumpur, capital da Malásia, às 00:41 (hora local) com destino a Pequim, China, onde deveria chegar seis horas mais tarde. A bordo estavam 239 pessoas (12 tripulantes e 227 passageiros), a maioria de nacionalidade chinesa. Pouco depois de descolar, desapareceu dos radares. 

O Boeing 777 levava combustível suficiente para 7,5 horas de voo.

As primeiras buscas concentraram-se no mar do sul da China, ao largo do Vietname. Malásia, China e Vietname uniram esforços para encontrar o aparelho. Os primeiros destroços encontrados não passaram, no entanto, de falso alarme

O relatório oficial afirmava que o avião caira no Oceano Pacífico e que não haveriam sobreviventes. 

É com grande tristeza e lamento que, de acordo com novas informações, somos obrigados a concluir que o voo MH370 acabou no oceano Índico”, disse o chefe do governo malaio. 

As informações então divulgadas adiantavam apenas que o aparelho ter-se-ia despenhado no mar, numa zona remota, muito longe de qualquer zona de aterragem e a milhares de quilómetros do que seria a sua rota de Kuala Lumpur até Pequim, confirmando-se que foi desviado. Segundo especialistas, a alteração do rumo terá decorrido de uma “ação deliberada”.

Vários países, como os Estados Unidos e a Austrália, juntaram-se então às buscas.

A tese de terrorismo foi também investigada. Em maio, o «Independent» afirmava que foram detidas 11 pessoas, sob suspeitas de terem ligações à Al Qaeda e responsabilidade no desaparecimento do voo MH370. 

As autoridades intensificaram as buscas com o aproximar do fim do tempo de vida das caixas negras, mas sem conseguir encontra-las em tempo útil.

Um relatório entretanto divulgado pelo governo da Malásia poucos meses depois revelou que as buscas só começaram quatro horas após o desaparecimento do aparelho. O documento indica que as autoridades só se aperceberam que o avião tinha desaparecido 17 minutos depois de este ter saído do radar e dá conta de horas de confusão antes do Centro de Salvamento Aeronáutico (ARCC) ser ativado.

Em maio, o Ministério Público francês abre um inquérito judicial por homicídio, uma vez que quatro pessoas de nacionalidade francesa estavam entre os passageiros.

Em julho do ano passado, uma peça de um avião foi encontrada na ilha de Reunião. As análises dos peritos franceses confirmaram que se tratava de parte da asa do  Boeing 777 da Malaysia Airlines.

As autoridades australianas afirmaram esta segunda-feira que consideram “muito provável” encontrar destroços antes de julho, quando termina a atual operação.

Cobrimos cerca de três quartos da área de busca e não encontrámos rastro do aparelho, o que aumenta a probabilidade de que esteja onde ainda não procurámos”, disse o comissário-chefe do Departamento de Segurança dos Transportes da Austrália, Martin Dolan.

Uma nova esperança

Na semana passada, foi encontrada uma peça de um avião em Moçambique que pode estar relacionada com o Boeing 777 da Malaysia Airlines desaparecido há dois anos. A peça será entregue a peritos malaios para análises laboratoriais completas.

A completar dois anos desde o desaparecimento do aparelho, as famílias pedem que os esforços sejam concentrados na costa da África oriental, depois desta última descoberta.

Eles podem deixar de procurar, mas como é que nós combatemos o sentimento de perda? Nós queremos que continuem a procurar o MH370", contou a mulher de um dos passageiros daquele voo.

Atualmente, a Austália lidera as buscas no Oceano Índico, mas os esforços para encontrar destroços do avião têm sido até agora infrutíferos, pelo que, na ausência de novas pistas, as autoridades pretendem terminar a atual operação no final de julho.

O que resta saber

O relatório de mais de 500 páginas apresentado no primeiro aniversário do desaparecimento do avião forneceu detalhes daquele voo e de como os radares captaram a mudança de rota, mas não identificou uma causa definitiva para o desaparecimento, acrescentando que nada havia de suspeito com a situação financeira, médica e pessoal dos pilotos.

O próximo relatório interino será conhecido hoje. 

É definitivamente o dever das autoridades continuar a investigar este caso, já que até agora não fizeram nenhum progresso substancial", adiantou à Reuters a filha de uma das passageiras.