Ondas gigantes, vulcões submersos ativos e uma cordilheira. Estes são alguns dos obstáculos que as equipas de busca pelo Boeing 777 da Malasya Airlines, que se despenhou no mar a 8 de março, com 239 pessoas a bordo, vão enfrentar, escreve o «Business Insider». Os dados indicam que o aparelho caiu numa das «zonas mais remotas do mundo», explicam os especialistas.

Mais de 100 objetos no mar podem ser do avião malaio

O próprio primeiro-ministro da Austrália, Tony Abbott afirmou que a área onde estavam a decorrer as buscas «era o mais próximo que se podia estar de lugar nenhum». Muitos avisaram mesmo, que apesar da busca «sem precedentes», que está a ser realizada por seis países, esta podia «não ter resultado».

Erik van Sebille, oceanógrafo na Universidade de New South Wales, afirmou que a região é conhecida, entre os marinheiros como a «The Roaring Forties» (O rugido dos 40) pelo mar hostil. Geralmente, esta é a região «mais ventosa e com mais ondulação do oceano», explica a mesma fonte. «No inverno, quando há tempestades, as ondas atingem 10 a 15 metros», acrescenta.

Uma consultora de segurança norte-americana, The Soufan Group, explicou que encontrar destroças na zona será difícil. «É como procurar uma agulha no meio do caos, perante uma superfície que muda de cor, altera a perceção e induz enjoo. Uma onda grande pode tapar um objecto no momento em que o podíamos ver ou o reflexo do sol pode cegar-nos momentaneamente, por exemplo».

Na verdade, explica à AFP o geólogo Robin Beaman, da Universidade de James Cook em Queensland, mesmo que se encontrem os destroços, os vulcões submersos ativos existentes na zona podem «impedir a recolha da caixa negra». A constante erupção de lava pode cobrir os destroços e a proximidade de uma cordilheira, entre duas placas tectónicas, também torna a área instável e em constante movimento.

Neste momento, as equipas de busca enfrentam uma corrida contra o tempo. A caixa negra não irá funcionar muito mais tempo. A sua bateria dura apenas 30 dias e só os seus registos podem ajudar a explicar o que aconteceu ao voo MH370.

Mas Erik van Sebille, o oceanógrafo na Universidade de New South Wales, acrescentou que há uma coisa boa na região. É pouco provável que as equipas sejam enganadas pelo lixo de maior dimensão que flutua nos oceanos, porque as correntes empurram tudo para norte, deixando a área limpa. Por isso mesmo, este especialista acredita que os objetos identificados por satélite e avistados são os destroços do avião.