«Tudo o que me lembro é de perder o controlo do carro. A próxima coisa que me lembro é de acordar numa ravina de 20 metros de profundidade». É desta forma que Nicholas Andrew, de 33 anos, recorda o acidente de que foi vítima perto de Tanah Mas, na Malásia.

O trabalhador do departamento de Defesa Civil conduzia com um amigo para entregar os convites para o casamento da irmã, quando perdeu o controlo do carro, partiu o braço direito e a perna direita e viu o colega morrer.

Em esforço, Andrew conseguiu sair do carro capotado e arrastou-se, durante três dias, pela floresta da Malásia até ser encontrado por moradores numa plantação de óleo de palma na quarta-feira à noite.
No hospital de Tapah, Andrew revelou que não conseguia lembrar-se de muita coisa do acidente que a polícia diz ter acontecido às três da manhã de domingo.

O malaio foi transferido, esta quinta-feira, para o Hospital Teluk Intan, onde contou que, quando percebeu o que tinha acontecido, tentou-se levantar mas não conseguiu.

«O meu primeiro instinto foi chamar o meu amigo, mas ele nunca respondeu», contou Andrew, citado pelo Malay Mail Online.

Ferido, Andrew decidiu que não iria morrer sozinho e arrastou-se pela floresta à procura de alguém que o salvasse.

«Tudo o que eu encontrei no primeiro dia foi uma pequena fuga de água ao longo da ravina. Estava a chover mas eu não conseguia armazenar a água, por isso bebi a água que ficava parada. Tinha tanta sede», contou, acrescentando: «durante o dia continuei a chamar o meu amigo, mas não tinha resposta. Queria acreditar que ele tinha escapado e que me iria salvar».

Andrew passou as noites empoleirado nas árvores e num banco de areia. No entanto, como não se conseguia proteger da chuva que continuava, a sua condição piorou: as feridas infetaram e não conseguia beber água porque tinha a boca cheia de cortes.

Depois de três dias a arrastar-se, Andrew conseguiu chegar a uma zona aberta da floresta, onde viu um homem que não se dirigiu de imediato para ele, apesar das suas tentativas em chamá-lo.

«O meu coração partiu-se e eu pensei que a minha sorte tinha acabado. Mas ele voltou com alguns amigos. Pouco tempo depois, localizaram-me depois de me ouvirem chorar», contou.

A mulher de Andrew, M. Ratna, de 34 anos, apresentou queixa na polícia na segunda-feira a seguir ao acidente. 

«Eu sabia que algo estava errado quando ele não me ligou porque ele ligava-me sempre para que eu soubesse onde ele estava», disse ela.

E estava. Andrew continua no hospital a recuperar e Ratna à sua cabeceira, com o coração mais descansado por o marido ter sobrevivido.