Muktesh Mukherjee, de 42 anos, mal conheceu o avô. Este indiano, nascido no Canadá, seguia a bordo do avião da Malaysia Airlines, desaparecido há quase uma semana. Era neto de Mohan Kumaramangalam, um ministro do governo de Indira Gandhi, que morreu num acidente de viação em Maio de 1973, perto do aeroporto de Nova Delhi.

Muktesh era casado com uma chinesa, que conheceu em 2002, durante uma viagem de trabalho à China. Viveram em Montreal, no Canadá, antes de se mudarem para Pequim.

O casal regressava a casa, onde o esperavam os dois filhos pequenos, depois de umas férias de sonho no Vietname.

Casamento recente e emprego novo

A história de Muktesh não é a única marcante na lista de passageiros a bordo. O chinês Yuchen Li tinha acabado de concluir o doutoramento, tinha-se casado recentemente e tinha começado a trabalhar há pouco tempo como engenheiro de topo numa empresa de aeronáutica em Pequim.

Li tinha concluído o doutoramento na Universidade de Cambridge, conta a BBC, e era elogiado por todos. «Yuchen era extremamente talentoso e uma pessoa adorável, com uma carreira brilhante pela frente», disse o porta-voz da universidade.

A mulher esperava-o em Pequim. Não sabe nada dele há uma semana.

Voava para os braços da mãe com passaporte roubado

Pouria Nour Mohammad Mehrdad, de 18 anos, voava com o passaporte do italiano Luigi Maraldi. Chegou a suspeitar-se que se tratava de um terrorista e que podia ser a chave para o desaparecimento do avião.

Afinal, não passava de um jovem iraniano, que estava a fazer o impossível para se reunir à mãe que o esperava em Hamburgo, na Alemanha.

Família rodeada pela tragédia

Paul Weeks e a mulher, a australiana Danica Weeks, estão habituados a que a tragédia ronde os momentos felizes das suas vidas. O filho mais velho, Lincoln, nasceu em 2010, no meio de um tremor de terra que abalou Chistchurch e lhes destruiu a casa. Três anos depois a família viu-se envolvida num acidente de viação gravíssimo.

Agora, Paul tinha encontrado um novo emprego. O engenheiro ia trabalhar numa mina na Mongólia. Antes de embarcar, Paul fez questão de colocar na mala inúmeras fotografias da família e de manifestar a Danica dois últimos desejos: caso algo lhe acontecesse, devia entregar a sua aliança de casamento ao primeiro filho que casasse e o relógio ao segundo. Entregar os dois objetos à mulher foi a última coisa que Paul fez antes de embarcar no no avião do voo 370.