O Governo espanhol poderá sentar-se no banco dos réus, após premiar com uma «medalha de mérito» a Virgem Maria de Málaga. Uma medalha, normalmente, atribuída a polícias mortos em ataques terroristas, escreve o jornal «The Guardian».

Um grupo de secularistas exige que a medalha seja revogada, alegando que a Virgem Maria de Málaga, também conhecida como Nossa Senhora Divina Pastora, não cumpre nenhum dos requisitos para receber a distinção.

A decisão de oferecer a medalha à «Nossa Senhora» e à congregação foi anunciada em fevereiro passado pelo ministro do Interior espanhol, Jorge Fernández Díaz que, na altura, justificou a decisão com «a colaboração próxima com as autoridades, em particular durante a Semana Santa, e, ainda, por partilharem os mesmos valores que a policia: dedicação, carinho, solidariedade e sacrifício».

Francisco Delgado, membro da «Secular Europa», que defende um estado laico e a separação de poderes entre o Governo e a Igreja, alega que as normas determinam que a medalha seja «atribuída a pessoas e não a coisas imateriais», além de que a medalha de mérito «serve para reconhecer atos excecionais no cumprimento do dever».

Esta organização juntou-se a outra e vão levar o ministro do Interior a tribunal. O caso começa a ser julgado em junho.

Mas já este ano, declarações feitas por este membro do Governo, que clamava «haver intervenção divina na ajuda a Espanha para a saída da crise», levou a oposição a questionar o executivo.

Mas a Nossa Senhora Divina Pastora não é a primeira Virgem a ser reconhecida por Jorge Fernández Díaz. Em 2012, este ministro do Interior, concedeu a mais alta distinção da Guarda Civil à Virgem Pilar, de Saragoça.

A própria polícia ficou surpreendida com a atribuição da medalha. José María Benito, do sindicato, considera que «a linha que separa o Estado e a Igreja se está a desaparecer». «Deem à Virgem o que quiserem. Flores. Façam-na padroeira de um povo, mas não deem uma medalha da polícia, dedicada aos que perderam a vida em ataques terroristas», acrescenta.