Em troca da ilegalidade, o português cobraria uma comissão de três por cento. Ao longo dos quatro anos que durou a operação, o esquema terá gerado um lucro de nove milhões de dólares (cerca de 7 milhões de euros).

Segundo o procurador do Estado de Nova Jérsia responsável pela acusação, John Hoffman, Rodrigues terá mantido apenas um por cento da comissão, dando o resto a Domenick Pucillo, que gere a empresa Tri-State Check Cashing, que financiou o esquema.

Por sua vez, Pucillo dava um quarto dos lucros a Manuel Rodrigues, que levava o resto do lucro aos líderes de crime organizado Vito Alberti e Charles "Chuckie" Tuzzo. Tuzzo, de 80 anos, foi hoje acusado, juntamente com outros 11 homens, de lavagem de dinheiro e vários esquemas mafiosos, como agiotagem e apostas desportivas ilegais.

Também detida foi a mulher de Rodrigues, a brasileira Flor Miranda, que trabalhava como gerente de escritório da Tri-State Check Cashing. Segundo a acusação, Miranda recebia pagamentos do esquema de agiotagem e mantinha registos de outras operações ilegais.

«Estavam a operar com os velhos truques da mafia, incluindo agiotagem e lavagem de dinheiro, lucrando milhões de dólares», disse o procurador Hoffman, acrescentando: «A história ensina-nos que, desde que existe procura para emprestimos ilicitos, jogos ilegais, drogas e outros mercados e serviços do mercado negro, o crime organizado vai procurer o lucro, tornando-se predador da sociedade».

Uma estação de televisão e alguns jornalistas concentravam-se terça-feira à noite em frente ao restaurante Portucale, que tinha sido recentemente remodelado, incluindo uma esplanada com uma fonte, fachada decorada com tijolo e um pequeno alpendre.