As autoridades francesas anunciaram, esta quinta-feira, que recuperaram "quase todos" os restos mortais de Maëlys de Araújo, a menina lusodescendente que estava desaparecida desde agosto de 2017.

De acordo com a BFMTV e o jornal Le Figaro, o procurador de Grenoble, Jean-Yves Coquillat, deu hoje as buscas por terminadas.

Desde que Nordahl Lelandais confessou o homicídio, na quarta-feira, e que levou as autoridades ao local onde deixou o corpo, as buscas já levaram também à descoberta da roupa da menina. Além da quase totalidade das ossadas, esta manhã, foram também recuperados o vestido e uma sandália, noticia a BFMTV.

Os restos mortais vão agora ser analisados pelos especialistas forenses, para determinarem a causa da morte, uma vez que o suspeito não disse como a matou.

O exame vai ser feito de forma progressiva, tal como com o carro, para não contaminar a cena. Antes de intervirmos, de começarmos a escavar à volta ou de examinar o corpo, vamos ter tempo para o fotografar, filmar, observar sob todos os ângulos, fazer os relatórios e depois, pouco a pouco, ver o que o corpo nos diz", explica Benjamin Gayrard, do Sindicato Nacional do Pessoal da Polícia Científica, em declarações aos jornalistas.

 

Também temos peritos forenses em flora, especialistas no estudo de um determinado local que vão examinar o solo, a vegetação para ver se a versão contada é a última versão, isto é, se o corpo foi abandonado nas datas que o senhor Lelandais disse. É óbvio que ele nos contou uma versão e temos de a confirmar cientificamente", acrescenta Patrick Touron, do Instituto de Investigação Criminal da Polícia.

Maëlys de Araújo desapareceu na noite de 26 para 27 de agosto de 2017, numa festa de casamento, em Pont-de-Beauvoisin, onde estava com os pais.

Nordahl Lelandais era o principal suspeito do rapto de Maëlys, mas negou sempre o crime. O ex-militar, de 34 anos, só confessou o homicídio depois de as análises a uma micro-gota de sangue encontrada no carro dele confirmarem que pertencia à menina de nove anos. 

O homicida confesso assegurou ter morto a criança em circunstâncias acidentais, tendo-se recusado a explicar as circunstâncias. Lelandais contou que, naquela noite de agosto, primeiro saiu de carro com a menina para se deslocar a casa dos pais dele, em Domessin, uma aldeia vizinha de Pont-de-Beauvoisin. Nesse local matou a criança e deixou-a num bosque, para regressar à festa de casamento. Mais tarde, quando todos já procuravam a rapariga, Nordalh regressou ao bosque, colocou a criança na mala do carro e levou-a para uma zona de ravina, onde viria, ontem, a ser encontrada.

Na tentativa de eliminar todas as provas, o suspeito lavou o carro no dia seguinte numa estação de serviço, onde passou horas, usando um químico destinado a limpar jantes para destruir vestígios de Maëlys, na mala do Audi A3.

O veículo foi "passado a pente fino" pelas autoridades no início da investigação, mas sem resultados. Mais recentemente, os investigadores decidiram desmontar por completo o carro para recolherem novas amostras e acabaram por encontrar uma gota de sangue miscroscópica. Uma prova de culpabilidade, perante a qual Lelandais, atualmente em prisão preventiva, não teve outra hipótese senão a confissão integral.