O Ministério Público da Venezuela pediu ainda na quinta-feira, ao tribunal, que anule a instalação da Assembleia Nacional Constituinte que resultou das eleições de domingo e cuja abertura está prevista para esta sexta-feira, com a oposição também a prometer manifestar-se. Nicolás Maduro não desarma e promete que a dita assembleia vai mesmo funcionar.

A decisão judicial pode, no entanto, não ser conhecida a tempo de, eventualmente, travar as intenções do presidente venezuelano.

O Ministério Público justifica esta ação com a "presumível ocorrência de delitos durante o processo eleitoral". A empresa que há mais de uma década contabiliza informaticamente os votos nas eleições, a Smartmatic, denunciou que houve manipulação de votos nas eleições: se a comissão nacional de eleições da venezuela diz que votaram 8,1 milhões de pessoas, a Smartmatic garante que esse número está inflacionado, "em pelo menos 1 milhão de pessoas".

Maduro chamou de "estúpido" ao dono da empresa Smartmatic. Mas o presidente dessa companhia, que desde 2004 fornece as máquinas de voto, não disse que votaram 7,5 milhões de eleitores sequer. Disse sim que o número oficial foi inflacionado pelo menos naquela ordem de grandeza.

A procuradora Luisa Ortega, uma chavista que é, atualmente, das maiores opositoras a Maduro, também anunciou uma investigação contra a autoridade eleitoral venezuelana. 

Ontem, os EUA esclareceram que consideram ilegítima Assembleia Constituinte. A mesma posição tinha sido manifestada antes pela União Europeia, Portugal incluído.

O Vaticano pediu hoje a suspensão da dita assembleia, por considerar que pode "hipotecar o futuro" do país.