Atualizada às 10h43

A auxiliar da enfermaria espanhola infetada com o Ébola em Madrid,  o primeiro caso de contágio na Europa,  já começou a receber tratamentos experimentais, segundo confirmou a diretora-geral de Saúde Pública de Espanha,  Mercedes Vinuesa, que intervinha na Comissão de Saúde do Congresso de Deputados. 

Vinuesa recordou que, «infelizmente», não há cura para o vírus do Ébola e que os medicamentos experimentais disponíveis «são limitados e partilhados entre os países».

«Posso confirmar que em Espanha temos à nossa disposição várias opções terapêuticas e que já se começaram a aplicar na segunda-feira», disse aos deputados, recordando que tudo está «numa fase experimental».  

A diretora-geral de Saúde Pública espanhola afirmou ainda que o controlo dos contactos da auxiliar é a medida mais eficaz para evitar a transmissão comunitária do vírus.

«Agora mesmo, o mais importante é a localização dos possíveis contactos da auxiliar de enfermagem contagiada com Ébola», disse ainda. 

«Está investigar-se qual poderá ter sido o mecanismo de infeção da profissional», afirmou Mercedes Vinuesa.  

A auxiliar da enfermaria espanhola está, desde a madrugada desta terça-feira, isolada no hospital Carlos III, onde contraiu o vírus. 

Fontes médicas confirmaram que a enfermeira está com febre, mas «estável», na ala do hospital onde atendeu as duas vítimas mortais espanholas de Ébola, dois missionários transferidos de África. 

A mulher foi transferida do Hospital de Alcorcon - onde duas análises realizadas na segunda-feira confirmaram o contágio - para o Carlos III, um centro especializado em doenças infeciosas. 

Já o marido da auxiliar está isolado e sob vigilância epidemiológica, confirmou esta terça-feira o coordenador do centro de Alertas e Emergências do Ministério da Saúde espanhol.

Fernando Simón disse aos jornalistas que as autoridades estão a avaliar outras pessoas com quem a enfermeira possa ter tido contacto para determinar se se justifica vigilância ou outras medidas.

Segundo explicou, o marido da enfermeira está isolado, «bem e relativamente tranquilo» num quarto no Hospital de Alcorcon, onde as análises realizadas na segunda-feira confirmaram o contágio da sua mulher.

Deficiências na aplicação dos protocolos de proteção de pessoal denunciadas

Enfermeiros e outros trabalhadores sanitários espanhóis denunciaram nos últimos dias várias deficiências na aplicação dos protocolos de proteção de pessoal envolvido no atendimento a pacientes com o vírus do Ébola em Madrid.

As denúncias - a mais recente das quais durante o fim de semana passado - apontam vários problemas de segurança que não cumprem os protocolos internacionais que detalham os procedimentos a adotar com o pessoal.

As denúncias aumentaram na segunda-feira quando se confirmou o primeiro caso de contágio de Ébola na Europa.

Ministra espanhola convoca responsáveis regionais de saúde

A ministra da Saúde espanhola, Ana Mato, convocou, esta terça-feira, uma reunião de urgência com todos os responsáveis regionais de saúde para analisar a situação provocada pelo contágio com Ébola de uma auxiliar de enfermeira em Madrid.

Fontes do Governo confirmaram que a reunião está marcada para as 12:00, hora local (11:00 em Lisboa), e que estão chamados todos os diretores de saúde das regiões autónomas espanholas.

Na mesa do encontro está a situação em torno do que foi o primeiro caso de contágio com o vírus do Ébola fora de África.