Notícia atualizada às 19:55

O marido da auxiliar de enfermagem contagiada com o vírus do Ébola em Madrid, Espanha, lançou uma petição online para salvar o seu cão, Excálibur, que a Comunidade de Madrid vai sacrificar por segurança. 
 
Segundo o «El País», o Governo de Madrid já deu ordem para que o animal seja sacrificado, de forma a impedir novas formas de contágio.    

«A existência deste cão que esteve em contacto com a paciente infetada pelo vírus do ébola, segundo os estudos disponíveis, supõe um possível risco de transmissão [do vírus]», lê-se no comunicado do departamento de Saúde.

No comunicado, o departamento assegura que a decisão foi tomada com base em «dados que confirmam (...) que os cães podem transportar o vírus, ainda que se mostrem assintomáticos. Por isso, não existe garantia que os animais infetados não eliminem o vírus através dos seus fluidos orgânicos, criando um risco potencial de contágio».

Num comunicado distribuído pelas redes sociais, Javier Limón Romero, que está isolado sob observação epidemiológica no mesmo hospital em que onde a mulher está a ser tratada, o Carlos III de Madrid, tinha informado que as autoridades ameaçaram solicitar uma ordem judicial para entrar à força em casa do casal e matar o animal, caso Javier não autorizasse a execução do animal, o que se veio a confirmar. 

Segundo a sua denúncia, terá sido um responsável dos serviços de Atenção ao Paciente da Comunidade de Madrid que o contactou a pedir autorização.

«Olá, chamo-me Javier Limon Romero, sou o marido de Teresa Romero Ramos, a auxiliar contaminada com ébola por tratar, de forma voluntária, dois pacientes infetados que foram repatriados para Espanha. Quero denunciar publicamente que um tal Zarco, creio que seja agente de saúde da Comunidade de Madrid, me disse que têm de sacrificar o meu cão, porque sim. Pedem-me consentimento, o qual neguei redondamente», escreveu Javier no Facebook.

«Ele disse que vão pedir uma ordem judicial para entrar à força em minha casa e sacrificá-lo [o cão]. Eu antes de vir para o hospital deixei-lhe vários recipientes com água, a banheira também cheia de água e um saco de 15 KG de ração para que tivesse comida e água. Também deixei o terraço aberto para que fizesse as suas necessidades. (…) Se isto os preocupa tanto, creio que se podem encontrar outro tipo de soluções alternativas, como por exemplo colocar o cão de quarentena e observação como fizeram comigo. Ou então também têm de me sacrificar a mim. Mas claro, um cão é mais fácil, não importa tanto», continuou. 

 

A petição foi espalhada pela associação de defesa dos animais Axla, e por outras que também apoiam a causa de Javier.

Segundo «O Globo», que cita um estudo da Emerging Infectious Diseases, feito no Gabão, os animais podem, de facto, ser infetados pelo ébola e serem portadores do vírus. No entanto, o estudo foi conduzido numa zona de epidemia, onde os cães podem ter-se alimentado de animais contaminados e contraído a infeção.