O Papa Francisco assinou esta terça-feira o decreto de canonização da Madre Teresa de Calcutá, figura conhecida em todo o mundo pelas obras de caridade na Índia, anunciou o Vaticano.

A cerimónia de canonização vai realizar-se a 4 de setembro.

A decisão foi tomada num consistório (reunião de cardeais) encarregado de examinar a causa da religiosa, que morreu em 1997 e e foi beatificada no dia 19 de outubro de 2003 pelo então Papa João Paulo II.

Em dezembro de 2015 o Papa aprovou um milagre atribuído à intercessão da Beata Teresa de Calcutá, vencedora do Prémio Nobel da Paz em 1979. A Congregação para a Causa dos Santos (Santa Sé) tinha concluído em julho de 2015 as investigações sobre a cura miraculosa de um homem brasileiro, de 35 anos, afetado por uma grave doença no cérebro, que se curou de uma forma tida como inexplicável.

Uma vida dedicada aos pobres

Ganxhe Bojaxhiu, a Madre Teresa, nasceu a 26 de agosto de 1910 em Skopje, na atual Macedónia, que era então uma pequena cidade com cerca de 20 mil habitantes sob domínio otomano. Ganxhe nasceu no seio de uma família católica que pertencia à minoria albanesa, no sul da antiga Jugoslávia.

A 25 de dezembro de 1928 partiu de Skopje rumo a Rathfarnham, na Irlanda, onde se situa a Casa Geral do Instituto da Beata Virgem Maria, para abraçar a vida veligiosa, com o ideal de ser missionária na Índia, onde acabou por passar grande parte da vida.

Acabou depois por embarcar rumo a Bengala, passando por Calcutá até Dajeerling, numa casa da Congregação fundada pela missionária Mary Ward, onde escolheu o nome de Teresa.

Madre Teresa absorveu o estilo de vida bengali e, posteriormente, transmitiu-o às suas religiosas, quando fundou as Missionárias da Caridade.

O seu trabalho nas ruas de Calcutá centrou-se nos pobres da cidade que morriam todas as noites, vestida com um sari branco, debruado de azul, a imagem com que o mundo se habituou a vê-la.

Rapidamente as Missionárias da Caridade chegaram a milhares de religiosas em 95 países.

Quando visitou a Índia, em 1964, Paulo VI recebeu pessoalmente Madre Teresa e 22 anos depois João Paulo II incluiu, no programa da viagem apostólica àquele país, uma visita à "Nirmal Hidray" - a “Casa do Coração Puro” – fundada pela religiosa e conhecida, em Calcutá, como a “Casa do Moribundo”.

A futura santa esteve três vezes em Portugal, a acompanhar os primeiros passos da Congregação das Missionárias da Caridade.

A freira fundou as Missionárias da Caridade e venceu o Prémio Nobel da Paz em 1979, pelo seu trabalho com os pobres nas ruas de Calcutá. Morreu a 5 de setembro de 1997, aos 87 anos, na casa geral da congregação que fundou em Calcutá.