As crianças da região de Antsirabe, em Madagáscar, apresentam peso e crescimento inferiores aos de outras na mesma faixa etária. No entanto, esta é uma das regiões do país que apresenta maior abundância de alimentos, conta a BBC. 

Assim como outros países em desenvolvimento, Madagáscar enfrenta o problema da subnutrição na infância. No país, quase metade das crianças com menos de cinco anos é afetada por esta situação.
 
Mas a contradição salta à vista. Com solo fértil, a região de Antsirabe produz comida em abundância, e os seus indicadores sociais não estão entre os piores. As infraestruturas de saúde são relativamente boas.

Ainda assim, a área que inclui a capital, Antananarivo, tem uma das mais altas taxas de má nutrição crónica do país. Um mistério que Simeon Nanama, diretor de nutrição do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em Madagáscar, está a tentar resolver.

"Estamos a tentar compreender a situação. Em algumas das áreas, 60% das crianças são afetadas".

 
A má nutrição crónica é causada pela falta de nutrientes essenciais e os sintomas são difíceis de detetar. As crianças que sofrem com este problema são, obviamente, mais magras e baixas que outras da mesma idade. Mas podem parecer "saudáveis". A longo prazo, a má nutrição crónica tem efeitos no desenvolvimento cerebral das crianças.

Simeon Nanama quer entender melhor o fenómeno, para poder gerir os recursos da melhor forma. Mas, para isso, é necessário continuar a investigar.

Há uma série de teorias sobre os fatores por detrás das altas taxas de má nutrição crónica. As diferenças no tipo de comida preparada pelas famílias ou o facto de que boa parte da produção agrícola da região central é levada para Antananarivo são algumas das explicações para o fenómeno.

Outra teoria é a de que muitas pessoas lavram terras que não lhes pertencem, sobrando poucos recursos para elas próprias viverem.