Um grande tubarão branco chamado Lydia está prestes a fazer história como o primeiro da espécie a cruzar o Oceano Atlântico de um lado até ao outro. De acordo com a BBC News, o animal, uma fêmea de 4,4 metros, já viajou mais de 30,5 mil quilómetros, desde que começou a ser rastreado, na Florida, nos EUA, em março de 2013, como parte de um projeto científico.

«Até hoje, nenhum tubarão branco cruzou, de forma documentada, do Ocidente para o Oriente ou vice-versa», afirma à BBC o biólogo Gregory Skomal.

Lydia encontra-se neste momento a 1,6 mil quilómetros da costa da Irlanda e a 4,8 mil quilómetros da Florida, onde recebeu o chip que permite rastreá-la.

«Embora Lydia esteja mais perto da Europa do que da América do Norte, tecnicamente só podemos dizer que ela cruzou o Atlântico quando ela passar pela dorsal Atlântica, a cadeia de montanhas que corta o oceano, o que ela ainda não fez», explica o biólogo.

O simples facto de se ter colocado um chip num tubarão branco já é um feito em si. Os cientistas utilizaram uma plataforma hidráulica de mais de 34 mil quilos, operada a partir de um barco de pesquisa, para receber os tubarões para o implante de chips e outros estudos.

O Projeto Ocearch tem por objetivo reunir dados sobre a movimentação, a biologia e a saúde dos tubarões. A ideia é usar a informação não apenas para proteger os animais, mas também para a educação e segurança do público.

Embora a jornada de Lydia seja impressionante, os tubarões são conhecidos por essas maratonas migratórias de milhares de quilómetros. Um outro tubarão branco fêmea chamado Nicole fez uma viagem de ida e volta da África do Sul à Austrália, entre novembro de 2003 e agosto de 2004.

«Não sabemos até onde Lydia irá», explica Gregory Skomal. «Europa, Mediterrâneo ou até a costa de África são opções possíveis», acrescenta.