Confrontos entre polícias e alegados membros da seita angolana "A luz do mundo" provocaram nos últimos dias, na província do Cuanza Sul, pelo menos cinco mortos, entre agentes da autoridade e fiéis.

Estes incidentes terão começado na terça-feira, quando dois agentes foram mortos por alegados fiéis na comuna do Dumbi, município de Cassongue. Recorde-se que esta seita foi liderada até 2015 por Julino Kalupeteka.

Segundo um comunicado do governo provincial, os membros desta seita são acusados de terem provocado "atos de violência sobre as autoridades policiais que se deslocaram àquela localidade na intenção de repor a ordem pública".

A polícia voltou ao local, entre sexta-feira e sábado, para dar cumprimento de um mandado de captura emitido pelo Ministério Público e “em consequência da reação armada” dos alegados membros da seita, três destes foram mortos e outros dois ficaram feridos, escreve o mesmo comunicado, citado pela imprensa angolana.

Refere ainda que outros 27 cidadãos estavam “reféns” da seita e foram entretanto libertados, tendo a Polícia Nacional angolana apreendido no local ainda nove metralhadoras e duas pistolas.

Dez elementos da seita angolana “A luz do mundo” receberam a 5 de abril deste ano, no tribunal do Huambo, penas que totalizam quase 250 anos de cadeia pelo homicídio de nove polícias.

O líder da seita, José Julino Kalupeteka foi condenado a 28 anos de prisão, enquanto autor moral de nove homicídios qualificados consumados e de oito homicídios qualificados frustrados, entre outros crimes de menor gravidade.

Outros sete seguidores de Kalupeteka foram também condenados a penas de 27 anos de cadeia, enquanto autores materiais de nove crimes de homicídio qualificado consumado, além de crimes de homicídio qualificado frustrados e de resistência à autoridade.

Mais dois elementos desta seita, que advogava que o fim do mundo aconteceria em 2015, foram condenados a 16 anos de cadeia.

O caso marcou a atualidade internacional em 2015, com as denúncias da oposição angolana e de algumas organizações – sempre negadas pelo Governo – apontando a morte de centenas de seguidores daquela seita nos confrontos com a polícia no monte Sumi, Huambo.

Neste processo, a acusação do Ministério Público concluiu que antes do crime, que aconteceu a 16 de abril de 2015, no município da Caála, quando se deram os confrontos que levaram à morte, segundo a versão oficial, de nove polícias e 13 fiéis, os elementos daquela igreja ilegal prepararam machados, facas e outras armas para atacar os “inimigos da seita ou mundanos”.

Durante o julgamento, que decorreu entre janeiro e fevereiro, o líder da seita e principal visado neste julgamento, José Julino Kalupeteka, também apelidado de “profeta” pelos seus seguidores, recusou a autoria dos confrontos ou dos atos de violência que terminaram com a morte dos agentes da polícia, que o tentavam prender, na altura.

Para a defesa, não ficou provado que o líder da seita tenha desobedecido, resistido às autoridades ou orientado os seus seguidores a criarem postos de vigilância para, posteriormente, agredirem os agentes da Polícia Nacional angolana.