O presidente do Eurogrupo disse esta sexta-feira que não é Jean-Claude Juncker quem deve explicar os acordos secretos feitos com empresas para pagarem menos impostos no Luxemburgo, no apelidado caso «LuxLeaks», mas sim o atual primeiro-ministro do Luxemburgo.

É «o chefe do Governo [do Luxemburgo] o responsável pelas ações políticas e também as do passado» pelo que deve ser Xavier Bettel a dar explicações sobre o assunto, disse Jeroen Dijsselbloem à chegada à reunião dos ministros da Economia e Finanças da União Europeia (Ecofin), em Bruxelas, reagindo assim à polémica que envolve o atual presidente da Comissão Europeia, que foi chefe de Governo do Luxemburgo nos últimos 19 anos.

Para Dijsselbloen,  que é ministro das Finanças da Holanda, uma vez que Juncker é agora presidente da Comissão Europeia só deve falar das suas funções atuais.

«Cabe ao chefe do Governo do Luxemburgo explicar as políticas», reforçou. Mesmo aquelas que tiverem que ver com o passado, estando prevista uma conferência de imprensa para esta sexta-feira.

A revelação dos «LuxLeaks» chega numa altura sensível para o Luxemburgo, uma nação com apenas 550 mil habitantes. A meio da investigação europeia ao sistema fiscal no país, o antigo primeiro-ministro, Jean-Claude Juncker, acaba de exercer a primeira semana no cargo de presidente da Comissão Europeia, uma das posições mais poderosas da Europa. 

Mal chegou ao cargo, enfrenta já o primeiro grande teste com a divulgação destes documentos. Juncker já afirmou que tem «uma ideia muito clara» sobre estas práticas, mas garantiu que não iria dizer nada para não afetar a investigação, já que «isso seria indecente». 

O esquema fiscal que permitiu a centenas de multinacionais escapar aos impostos através de acordos fiscais secretos com o Luxemburgo tem ligações a Portugal. A dimensão dessa ligação não é ainda clara, mas pelo menos seis empresas multinacionais estão associadas a Portugal na negociação de «Cartas de Conforto» com o Luxemburgo.