Lula da Silva, o ex-presidente do Brasil que se encontra detido, escreveu uma carta aos apoiantes na prisão. A missiva foi lida pela senadora e presidente nacional do Partido Trabalhista, Gleisi Hoffmann, para os apoiantes que se encontram acampados perto da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, desde dia 7 março, data em que Lula foi preso.

"Ouvi os recados e as músicas que vocês cantaram. Estou muito agradecido pela existência e presença de vocês neste ato de solidariedade. (...) Não está longe o dia em que a Justiça valerá a pena: na hora que ficar definido que quem cometeu um crime será punido, e quem não, será absolvido", terá escrito Lula da Silva.

Na carta, o ex-presidente criticou ainda Ministério Público Federal e a Operação Lava Jato, desafiando a justiça brasileira a "provarem o crime" que cometeu.

"Continuo a acreditar na Justiça e por isso estou tranquilo, mas indignado, como um inocente quando é injustiçado".

A presidente nacional do Partido Trabalhista revelou ainda que tem comunicado com Lula da Silva através de cartas trocadas entre eles graças aos advogados. Gleisi Hoffmann já pediu autorização para visitar o ex-presidente, mas ainda não teve resposta.

Luiz Inácio Lula da Silva, 72 anos, foi o 35.º presidente do Brasil (2003-2011) e é o primeiro ex-chefe de Estado condenado por um crime comum.

O ex-presidente sempre se declarou inocente e, em março, considerou mesmo que a sua prisão era “a maior barbárie” jurídica na história do Brasil, porque seria o “primeiro preso político do país no século XXI”.

Na madrugada de 5 de abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) negou um ‘habeas corpus’ apresentado pela defesa de Lula da Silva, que visava evitar a sua prisão antes de se esgotarem os recursos na Justiça.

Na sequência da decisão do STF, o juiz federal Sérgio Moro decretou a prisão de Lula da Silva e deu como prazo a tarde do dia seguinte para o ex-presidente brasileiro se apresentar voluntariamente à Polícia Federal na cidade de Curitiba, no Estado do Paraná, sul do Brasil.

No passado sábado, quase 26 horas depois do prazo dado pelo magistrado, Lula da Silva saiu a pé, rodeado de seguranças, do Sindicato dos Metalúrgicos onde se encontrava desde quinta-feira, em São Bernardo do Campo, no Estado de São Paulo, para se entregar à Polícia Federal.

Poucos minutos passados das 18:30 (22:30 em Lisboa), terminado o prazo de meia hora que lhe foi dado pela PF para abandonar o edifício, e após uma primeira tentativa de saída impedida pelos seus apoiantes que cercavam o local, Lula da Silva “saiu andando” e entrou num veículo da PF que o aguardava nas imediações.

Depois de conduzido para a sede da Polícia Federal em São Paulo, foi levado de helicóptero para o aeroporto de Congonhas, onde embarcou para o Paraná.