Os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff afirmaram que a acusação deduzida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) do Brasil na terça-feira, na qual são acusados de integrar uma organização criminosa, não tem fundamento.

Em comunicado, a assessoria de imprensa de Lula da Silva afirmou que a acusação não tem "qualquer fundamento", acrescentando que o pedido de abertura de processo seria "uma ação política".

É o auge da campanha de perseguição contra o ex-presidente Lula [da Silva] movida por setores partidarizados do sistema judicial. Foi anunciada hoje [terça-feira] para tentar criar um fato negativo no dia em que Lula da Silva conclui sua vitoriosa jornada pelo Nordeste", acrescentou a nota.

O ex-presidente brasileiro encerrou na terça-feira um périplo de 20 dias pela região do Nordeste do Brasil, a mais pobre do país, em que pretendia restabelecer proximidade com sua principal base eleitoral antes de se lançar oficialmente na campainha presidencial para as eleições de 2018.

Já a assessoria de comunicação de Dilma Rousseff destacou, também através de um comunicado, que as acusações da PGR foram formuladas "sem apresentar provas ou indícios da materialidade de crime", alegando ainda que "o chefe do Ministério Público Federal oferece denúncia ao Supremo Tribunal Federal sem qualquer fundamento".

A ex-presidente brasileira completou o comunicado destacando que "caberá ao Supremo Tribunal Federal (STF) garantir o amplo direito de defesa e reparar a verdade, rejeitando [a acusação]".

Na noite de terça-feira, a PGR do Brasil deduziu uma acusação contra Dilma Rousseff Lula da Silva e outros políticos ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT), acusando-os de participar em organização criminosa que realizou desvio de fundos da petrolífera brasileira, Petrobras, no âmbito das investigações da operação Lava Jato.

Rodrigo Janot, procurador-geral do país, afirmou na peça acusatória que "pelo menos desde meados de 2002 até 12 de maio de 2016, os denunciados integraram e estruturaram uma organização criminosa com atuação durante período em que Lula e Dilma Rousseff sucessivamente titularizaram a Presidência da República, para cometimento de uma miríade de delitos, em especial contra a administração pública em geral."

O procurador brasileiro também envolveu na denúncia os ex-ministros da Fazenda Antonio Palocci e Guida Mantega; a presidente do PT, a senadora Gleisi Hoffmann e o marido, o ex-ministro das Comunicações Paulo Bernardo e os ex-tesoureiros do PT João Vaccari e Edinho Silva.