O ex-presidente do Brasil Lula da Silva saiu este sábado da sede do sindicato metalúrgico onde permanecia desde quinta-feira, depois de ser decretada a sua prisão, para participar numa missa em memória da sua esposa.

Luiz Inácio “Lula” da Silva saudou a multidão de apoiantes que estava no exterior do edifício do sindicato, em São Bernado do Campo, perto de São Paulo, mas não fez qualquer declaração no início.

Após a cerimónia Lula da Silva falou à multidão e disse que vai respeitar a ordem de prisão decretada pela justiça brasileira, que o condenou a 12 anos de cadeia por corrupção.

"Eu vou atender o mandado deles. (...) Eu vou cumprir o mandado e todos vocês daqui para frente vão virar Lula. A morte de um combatente não para a revolução" disse, no discurso perante os apoiantes em São Bernardo do Campo, e no qual reafirmou a sua inocência.

Lula reiterou inocência e disse que foi condenado pela imprensa.

Se dependesse da minha vontade eu não iria, mas eu vou, eu não estou escondido, eu vou lá na barba deles para eles saberem que eu não tenho medo, para saberem que eu não vou correr e que vou provar a minha inocência", sublinhou.

O antigo governante saiu em braços do sindicato dos metalúrgicos e alguns jornais dizem que chegou mesmo a sentir-se mal e teve de ser visto por um médico.

Os apoiantes do ex-presidente do Brasil Lula da Silva tinham dado início ao terceiro dia de vigília em frente do edifício onde se tinha refugiado o político brasileiro.

Dezenas de pessoas dormiram mesmo no local e acordaram hoje na expetativa de saber o que ia acontecer a Lula da Silva, depois de ter passado o prazo para se entregar às autoridades (17:00 horas locais de sexta-feira, 21:00 em Lisboa).

O estudante Jamon Dias, de 24 anos, foi uma das pessoas que passou a noite no local para participar naquilo que considera um momento histórico e importante do país.

"Eu estudo política e além da minha simpatia ideológica com o Lula da Silva, achei que era importante participar de um momento histórico do Brasil", disse à agência Lusa pouco antes de se iniciar uma missa em que está a participar Lula da Silva e a ex-Presidente Dilma Rousseff.

Nas imediações do Sindicato dos Metalúrgicos, onde Lula iniciou a sua carreira política, foi aumentando o número de pessoas no início da manhã de hoje.

Lula da Silva não fala publicamente desde quinta-feira à noite, quando o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela operação Lava Jato, decretou a sua detenção.

Segundo o jornal Folha de São Paulo, o ex-presidente do Brasil deverá entregar-se à justiça depois da missa em honra da mulher.

O Globo, por seu lado, deu conta de negociações entre a defesa do ex-presidente e as autoridades brasileiras, noticiando que Lula pode ser preso hoje.

Outra alternativa, afirma o Globo, é Lula ser levado na segunda-feira para Curitiba, cidade onde deveria ter-se entregado à Polícia Federal.

Os advogados do ex-presidente recorreram para o Supremo Tribunal Federal para tentar suspender a ordem de prisão, mas este recurso foi, já este sábado, rejeitado.

O Superior Tribunal de Justiça do Brasil também rejeitou na sexta-feira um segundo pedido de 'habeas corpus', apresentado pelos advogados de defesa do ex-presidente.

Anteriormente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já havia também negado um ‘habeas corpus’ preventivo a Lula da Silva, condenado a 12 anos de prisão e um mês por corrupção passiva e branqueamento de capitais.

Na sequência da decisão do STF, o juiz federal Sérgio Moro decretou a prisão de Lula da Silva e deu como prazo as 17:00 de sexta-feira (horário de Brasília, 21:00 em Lisboa), para o ex-Presidente brasileiro se apresentar voluntariamente à Polícia Federal na cidade de Curitiba, no Estado do Paraná, sul do Brasil.

Luiz Inácio Lula da Silva, 72 anos, foi o 35.º Presidente do Brasil (2003-2011).