Em maio, entre mais de 900 candidatos, Luis Miguel Bermúdez recebeu o prémio atribuído pela Fundação Compartir, atribuído ao melhor professor da Colômbia. Foi-lhe entregue por Juan Manuel Santos, prémio Nobel da Paz em 2016 e presidente do país sul-americano, onde a gravidez entre adolescentes continua a ser um problema premente.

Há uns anos, nas cerimónias de graduação já era normal ver um número igual de bebés e de estudantes. Alguns destes, com 16 anos já eram pais pela segunda vez", conta o professor, em declarações ao jornal espanhol El País.

Na Colômbia, nas zonas mais pobres há 66,2 gravidezes de raparigas entre os 15 e os 19 anos por cada mil habitantes. A taxa suplanta mesmo a registada, em 2015, no Haiti, o país mais pobre do continente americano, onde houve uma média de 60,62 casos.

Luis Miguel Bermúdez, docente de Ciências Sociais, dá aulas num colégio em Suba, a zona mais populosa da capital colombiana, Bogotá, onde vive mais de um milhão de pessoas. Na escola onde trabalha há sete anos, resolveu abordar os mais de quatro mil alunos "deixando de lado o discurso proibicionista" e fundamentado na religião, que era prática na instituição.

Havia que entendê-los e não querer impor-se. Todos conheciam os métodos anticoncepcionais, mas havia preconceitos sobre o seu uso. As raparigas confessavam ter receio de ser consideradas promíscuas", relata o professor.

Em grupos de debate e conversas mais ou menos informais, Bermúdez passou a abordar questões como novas formas de feminilidade e masculinidade, diversidade e saúde sexual e reprodutiva.

Mais. Segundo conta, dado o deficiente sistema de saúde na Colômbia, ensinou até os estudantes a reivindicar e reclamar, quando lhe era negado o acesso a meios contracetivos.

O sucesso, além do prémio de professor do ano, veio com o registo no último ano letivo de zero gravidezes na sua escola, o que pode ser considerado uma façanha, num país onde, segundo estudos de mercado, 80% das mulheres dizem nunca ter falado de questões de sexualidade com os seus médicos.