É mais uma peça no puzzle das motivações do copiloto da Germanwings, Andreas Lubitz, que a 24 de março do ano passado estava ao comando do Airbus A320 que se despenhou nos Alpes franceses com 149 pessoas a bordo.

Nesta segunda-feira, o jornal alemão Bild revela o último email enviado pelo piloto de 27 anos ao seu médico, duas semanas antes de se despenhar, e no qual se mostra obcecado com a possibilidade de cegar.

Tenho medo de ficar cego e não consigo tirar esta ideia da minha cabeça. Se não fosse por causa dos olhos, tudo estaria bem”, escreveu Lubitz, segundo o Bild.

De acordo com o Le Figaro, o piloto teria perdido 30% da visão, o que colocava em causa o seu sonho de se tornar piloto de longo curso, e que os investigadores não excluíam que esta lesão fosse uma das causas da depressão. 

A informação de que o copiloto tinha perdido já 30% da visão surgiu depois de o The New York Times ter avançado que Andreas Lubitz tinha procurado tratamento para alegados problemas de visão.

No email divulgado pelo Bild, Lubitz admitia ainda que dormia muito pouco.

Eu sei que preciso, apesar da difícil situação, de conseguir dormir mais e reduzir o stress”, terá escrito.

A Lufthansa, casa-mãe da Germanwings, teria conhecimento dos problemas do piloto, mas os testes médicos realizados por Lubitz apresentavam resultados normais.

Sabe-se também que no mesmo dia em que o avião se despenhou, Lubitz tinha ensaiado as manobras de queda no voo anterior entre as duas cidades.

Um relatório final sobre o acidente será divulgado a 13 de março, de acordo com o Gabinete de Investigação e Análise para a segurança da aviação civil (BEA) de França.

O Airbus A320 da Germanwings, que voava entre Barcelona e Dusseldorf, despenhou-se nos alpes franceses, não havendo sobreviventes.

Na altura, Lubitz estava trancado no cockpit, aproveitando a saída do comandante para ir à casa de banho, que sem sucesso não conseguiu regressar à cabine.